MADRID 15 dez. (EUROPA PRESS) -
A presidente do Grupo de Estudos da Aids (GeSIDA) da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC), María Velasco, destacou na segunda-feira que o vírus da imunodeficiência humana (HIV) deixou de ser um desafio clínico para se tornar um desafio social, já que "marcos extraordinários" no tratamento de longo prazo foram alcançados, enquanto o estigma e a discriminação continuam a persistir.
"Estamos em um momento (...) em que a infecção pelo HIV não é tanto um desafio clínico, mas um desafio social, e nesse desafio social temos que destacar o fato de que marcos extraordinários foram alcançados em termos de tratamento supereficaz e de longo prazo, prevenção combinada, sobrevivência.... Mas ainda precisamos eliminar o medo, o estigma e a discriminação", disse Velasco em um evento realizado no Congresso dos Deputados para marcar o 30º aniversário da organização.
Durante o evento, também foi apresentada a exposição 'Ternura, beijos e abraços contra o estigma', com a qual a GeSIDA convida as pessoas a refletirem sobre o impacto do estigma social sobre as pessoas que vivem com HIV, alegando a necessidade de promover uma visão baseada na empatia, proximidade e reconhecimento de direitos.
O Secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, destacou o progresso feito nos últimos 30 anos na luta contra o HIV, e que o fim da pandemia do HIV não chegará "um dia quando for decretado", mas acontecerá progressivamente, à medida que deixar de ser visto como uma preocupação de saúde pública global.
"Quando deixarmos de ter episódios em países como o nosso em que o estigma e a discriminação continuam a ser uma realidade (...) estaremos acabando com o HIV, e quando conseguirmos garantir que as inovações terapêuticas não sejam apenas inovações terapêuticas para o norte global, mas também sejam uma realidade de acesso no sul global, também estaremos acabando com o HIV", acrescentou.
O evento também contou com a presença do primeiro presidente do GeSIDA e chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Ramón y Cajal, Santiago Moreno, que enfatizou que o marco "mais importante" na luta contra o HIV foi a introdução do tratamento antirretroviral supressivo, que "mudou o prognóstico" para a vida dos pacientes, transformando uma "doença fatal a curto prazo" em uma doença crônica.
"Para mim é igualmente importante, e também marca outro ponto de virada, é quando entendemos que a carga viral suprimida, sendo indetectável, estava associada à não transmissão (...) a vida das pessoas com HIV se tornou uma vida mais normal", acrescentou.
A IMPORTÂNCIA DO ATIVISMO
Por sua vez, o diretor médico da ViiV HealthCare para a Espanha, José Emilio Martín Herrero, disse que o fator "mais decisivo" para o progresso alcançado é o ativismo da comunidade, que "continua a ser a força motriz que tornou possível" a mobilização de recursos e vontade, bem como a transformação na pesquisa clínica, mudanças regulatórias e aceleração da descoberta e desenvolvimento de novos antivirais.
O diretor da Apoyo Positivo, Jorge Garrido, expressou uma opinião semelhante, enfatizando que os avanços clínicos foram acompanhados pelo progresso em termos de direitos e dignidade dos pacientes.
"Por muitos anos, viver com HIV significou viver em silêncio, viver sem direitos, não apenas direitos sociais, mas também direitos trabalhistas. E é precisamente a visibilidade, o trabalho comunitário, que deu acesso a esses direitos trabalhistas (...) O acesso universal ao tratamento do HIV é um desses marcos que também marca os direitos sociais das pessoas com HIV", acrescentou.
Embora tenha reconhecido o esforço feito para manter esse acesso universal na Espanha, ele lamentou que "ainda existam muitas comunidades autônomas que estabelecem barreiras administrativas" para alguns grupos, como os migrantes, o que os impede de ter acesso ao tratamento.
O DESAFIO DE IMPLEMENTAR O ACESSO IGUALITÁRIO EM TODA A ESPANHA
A chefe da Unidade de Doenças Infecciosas do Hospital Virgen de la Victoria, em Málaga, Rosario Palacios, destacou que um dos principais desafios na Espanha tem a ver com a implementação do acesso igualitário ao tratamento em todas as comunidades, além de garantir o acesso às pessoas mais vulneráveis, como migrantes, mulheres e idosos.
Esses desafios também incluem informar a sociedade e os profissionais de saúde para evitar a desinformação e o estigma sobre o HIV, não apenas em nível social, mas também em ambientes de assistência médica.
O membro da CESIDA e presidente da Apoyo Positivo, Reyes Velayos, explicou que outro dos desafios tem a ver com o cuidado integral da cronicidade e da qualidade de vida dos pacientes, com a necessidade de trabalhar não apenas para alcançar uma carga viral indetectável, mas também para priorizar a detecção e o manejo proativo das comorbidades associadas ao envelhecimento e ao próprio HIV, com ênfase especial na saúde mental.
Para a Diretora de Assuntos Médicos e líder médica de HIV da Gilead, Cristina de Álvaro, as principais prioridades são continuar a melhorar o diagnóstico, já que mais da metade dos novos casos são detectados tardiamente.
O acesso e a retenção de pacientes no sistema também devem ser garantidos, e o trabalho deve continuar em estratégias e modelos que se concentrem no bem-estar do indivíduo, não apenas na indetectabilidade do HIV.
O Diretor Médico de HIV, Doenças Infecciosas e Oftalmologia da MSD, Manuel Cotarelo, enfatizou a necessidade de garantir que a inovação chegue aos pacientes "de forma rápida e equitativa", e que tudo isso depende do setor, da administração e das entidades comunitárias.
"Temos que trabalhar juntos para fazer inovação sem barreiras, tentar eliminar as barreiras administrativas que só geram desigualdades no território e, como digo, incorporar os determinantes sociais na saúde", afirmou.
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