Publicado 23/10/2026 07:02

A genética tem um papel importante em 70% a 80% dos casos de TDAH, segundo a SENEP

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Reivindica a criação de uma Área de Capacitação Específica em Neuropediatria que regule a formação especializada necessária

MADRID, 23 out. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Neurologia Pediátrica (SENEP) destacou que os fatores genéticos têm um peso importante no transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), podendo influenciar até 70-80% dos casos, e que afeta 3-7% das crianças em idade escolar, por ocasião do Dia Nacional do TDAH, comemorado no próximo dia 27 de outubro.

No TDAH, a genética constitui o principal fator de risco para seu surgimento. “Não existe um único gene do TDAH”, explica a neuropediatra e membro do Grupo de Trabalho sobre Transtornos do Neurodesenvolvimento da SENEP, Cristina Castaño de la Mota.

“O transtorno surge do acúmulo de centenas de pequenas variações no DNA que, ao ultrapassarem um determinado limiar biológico, ativam a predisposição. Essas variantes genéticas influenciam diretamente a regulação de neurotransmissores-chave, como a dopamina e a noradrenalina, que regulam a atenção, o autocontrole e a atividade motora”, alerta.

O TDAH não é uma doença, mas é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento, de caráter neurobiológico, com início na infância, e cujos principais sintomas são: déficit de atenção, hiperatividade e/ou impulsividade. Representa um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais frequentes na população infantil e juvenil espanhola.

O TDAH apresenta uma expressividade variável dentro de uma mesma família, e pessoas com a mesma carga genética podem manifestá-lo de formas totalmente distintas. Além disso, indica que “uma porcentagem significativa das variantes genéticas do TDAH também aumenta a vulnerabilidade a outros transtornos do neurodesenvolvimento ou da área da saúde mental”.

De acordo com dados da SENEP, até 50% dos pacientes diagnosticados com TDAH podem apresentar outros tipos de problemas, sendo os mais comuns os transtornos de conduta, os transtornos de humor, a ansiedade, as dificuldades de aprendizagem e o baixo desempenho acadêmico.

Outro possível fator desencadeante e modulador do TDAH, segundo ela, seriam os fatores ambientais. “Esses fatores são muito variados: estresse pré-natal, prematuridade, exposição a substâncias tóxicas durante a gravidez (tabaco e outras substâncias), dinâmica familiar, etc., sendo que alguns deles são evitáveis”, esclarece a doutora Castaño de la Mota.

A PERSPECTIVA DE GÊNERO NO TDAH

Por outro lado, ela destaca que, no TDAH, é possível observar diferenças nos sintomas de acordo com o gênero, já que a mesma carga genética leva a manifestações distintas entre homens e mulheres. “A diferença na prevalência diagnosticada entre homens e mulheres não se deve ao fato de os genes agirem de maneira diferente, mas à forma como o transtorno se manifesta e ao impacto das expectativas sociais”, afirma.

Ela lamenta que, no caso das mulheres, tenha havido um subdiagnóstico ao longo dos anos nessa área, pois elas costumam apresentar sintomas internalizados, mais sutis, como a falta de atenção; enquanto que, no caso dos meninos, estes costumam apresentar perfis hiperativos-impulsivos, ou combinados com sintomas mais visíveis e evidentes.

Castaño de la Mota afirma, por sua vez, que os primeiros sintomas costumam se manifestar, em média, antes dos 7 anos, embora, em alguns casos, só na adolescência — quando a exigência acadêmica aumenta — é que surge a suspeita; um aspecto, aliás, mais frequente em meninas com TDAH, nas quais, como já comentamos, predominam as dificuldades de atenção.

O DIAGNÓSTICO DO TDAH CONTINUA SENDO CLÍNICO

Ao se tratar do diagnóstico do TDAH, essa neuropediatra considera que é necessária uma maior conscientização da sociedade sobre os sintomas da doença, a fim de favorecer um diagnóstico precoce, já que, atualmente, esse diagnóstico é clínico. “Não existem, até o momento, exames nem análises genéticas diagnósticas — seja no sangue ou em outras amostras biológicas — que, por si sós, sirvam para confirmar o diagnóstico de TDAH”, adverte ela.

O pediatra da Atenção Primária desempenha um papel muito importante na detecção precoce e no acompanhamento do TDAH, conforme ele detalha, enquanto o neuropediatra tem um papel fundamental no diagnóstico diferencial em relação a outros transtornos do neurodesenvolvimento, na identificação de comorbidades e na abordagem integral dessas crianças. Além disso, ele afirma que a elaboração de uma história clínica completa, incluindo antecedentes pessoais e familiares detalhados, também pode ajudar a identificar casos com uma carga genética mais significativa ou nos dar pistas sobre uma origem tipificável.

É por tudo isso que, coincidindo com o Dia Nacional do TDAH, a SENEP reivindica também a criação de uma Área de Capacitação Específica (ACE) em Neuropediatria que reconheça e regule a formação especializada necessária para avaliar o neurodesenvolvimento infantil, estabelecer o diagnóstico diferencial do TDAH e identificar outras condições associadas.

“Esse reconhecimento contribuiria para reforçar o papel do neuropediatra no diagnóstico e no tratamento integral desses pacientes, em coordenação com a Atenção Primária e os demais profissionais envolvidos, e para promover um atendimento de qualidade e equitativo”, destaca a sociedade.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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