Publicado 27/03/2025 09:20

GEICAM anuncia plataforma de análise de biópsia líquida para melhorar o gerenciamento de pacientes com câncer de mama

Archivo - Arquivo - Obesidade e sua ligação com o câncer de mama
ISTOCK - Arquivo

MADRID 27 mar. (EUROPA PRESS) -

O membro do Conselho de Administração do Grupo de Pesquisa de Câncer de Mama GEICAM, Dr. José Ángel García Sáenz, anunciou nesta quinta-feira o projeto NEO-AGORA, uma plataforma projetada para integrar e analisar dados moleculares, clínicos e terapêuticos, centrada na biópsia líquida, que permite a detecção de DNA tumoral no sangue sem a necessidade de procedimentos invasivos.

"Por meio da biópsia líquida, podemos monitorar em tempo real a evolução dos tratamentos, fazendo medicina de precisão, e buscar novas terapias, além de avaliar se há alguma doença residual. Isso será uma realidade em alguns anos", explicou o Dr. García Sáenz, também oncologista do Hospital Clínico San Carlos, durante uma coletiva de imprensa realizada como parte do 16º Simpósio Internacional GEICAM.

O NEO-AGORA servirá como uma ferramenta colaborativa para o compartilhamento de informações entre pesquisadores, oferecendo evidências científicas de alta qualidade, prova de eficácia de agentes em desenvolvimento e dados do mundo real, e facilitará o conhecimento em tempo real de como a doença está evoluindo.

Além disso, fornecerá aos especialistas "muitas informações" ao gerenciar pacientes individuais, pois incluirá dados de 300 mulheres, coletados de diferentes centros de pesquisa do GEICAM, o que facilitará a implementação de estudos clínicos relacionados à biópsia líquida na prática clínica.

A IMPORTÂNCIA DE UM BOM ESTILO DE VIDA NO CÂNCER DE MAMA

A Dra. Blanca Cantos Sánchez, membro do GEICAM e oncologista do Hospital Universitário Puerta de Hierro, enfatizou que estudos recentes da organização mostram a importância do exercício físico e da boa nutrição para melhorar o prognóstico das pacientes com câncer de mama.

"Entre os fatores de risco mais relevantes identificados no estudo estão o estilo de vida sedentário, a obesidade, o consumo de álcool e tabaco e a idade do primeiro filho", explicou Cantos Sánchez, referindo-se ao estudo EVAL-ACTIVA, que "ajudará a personalizar as recomendações de atividade física, o que pode melhorar a qualidade de vida das pacientes e reduzir as taxas de recaída".

Os cientistas estão agora avaliando o tipo de exercício (cardio ou de força) para a doença e de acordo com o estágio de desenvolvimento, insistindo que a prática de esportes está associada a um menor risco de recaída e maior tolerância ao tratamento.

Outra pesquisa relacionada, a GYMNOS, busca conscientizar os oncologistas sobre a necessidade de implementar o exercício físico "como parte integrante do tratamento do câncer".

CÂNCER DE MAMA E GRAVIDEZ

Noelia Martínez Jáñez, membro do conselho de administração do GEICAM e oncologista do Hospital Universitário Ramón y Cajal, explicou que outras linhas de pesquisa foram direcionadas a pacientes órfãos, como pacientes grávidas com câncer de mama.

O estudo EMARCAM inclui retrospectivamente os casos que já existiam e os casos que estão sendo diagnosticados, com 700 pacientes em nível nacional, que, por sua vez, foram incluídos em um projeto no qual mais de 300.000 pacientes estão sendo analisados em todo o mundo, o que pode ajudar a abrir novas linhas de pesquisa.

"Identificamos diferentes padrões moleculares nos cânceres de mama gestacionais, o que poderia abrir linhas específicas de pesquisa, bem como novas linhas de tratamento", disse o Dr. Martínez Jáñez, explicando que esse tipo de câncer de mama é "mais agressivo".

Outro dos grupos órfãos são os pacientes masculinos com câncer de mama, para os quais foi criado um Registro Nacional de Câncer de Mama Masculino, que está permitindo um estudo aprofundado do câncer de mama em homens e que é "fundamental para entender como a doença se manifesta nos homens, uma população historicamente negligenciada".

O presidente e fundador do GEICAM, Dr. Miguel Martín, observou que a colisão entre o câncer de mama e a gravidez é "cada vez mais frequente" devido ao fato de que as mulheres estão tendo filhos mais tarde por causa da situação econômica e social, portanto "não é surpreendente" que essa situação ocorra.

Apesar das dificuldades envolvidas na combinação da gravidez com o tratamento do câncer, o Dr. Martín disse que pouquíssimas mulheres optam por interromper a gravidez.

Com relação à evolução da mortalidade por câncer de mama, o especialista lembrou que, há 30 anos, metade das pacientes morria devido a diagnósticos "muito tardios" e que muitas das que eram curadas acabavam tendo recaídas e morriam pouco tempo depois.

Atualmente, a taxa de mortalidade do câncer de mama operável e diagnosticado precocemente "não chega a 25% após dez anos", embora ele reconheça que "ainda há muito a ser feito".

As campanhas de rastreamento contribuíram para essa situação, com uma taxa de aceitação de mais de 70%, coincidindo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), e um maior conhecimento da biologia desses tumores.

A ESPANHA COMO REFERÊNCIA INTERNACIONAL

O Dr. Martín, que assumirá o cargo de presidente do GEICAM nesta quinta-feira, quis destacar a contribuição do grupo ao longo de 30 anos para tornar a Espanha um dos "três países líderes" na pesquisa do câncer de mama, atrás dos Estados Unidos e da China.

"O GEICAM tem contribuído para a mudança no campo da prevenção e do combate ao câncer de mama, além de melhorar a qualidade de vida das pacientes desde sua fundação em 1995, demonstrando que a pesquisa acadêmica de ponta e reconhecida internacionalmente é possível na Espanha", observou.

Esse "sucesso" se deve à "generosidade das pacientes e de suas famílias" e ao "trabalho altruísta dos pesquisadores e à gênese de uma infraestrutura de apoio altamente profissionalizada".

Entre os principais desafios enfrentados pela situação do câncer de mama, que ele espera que sejam resolvidos por meio de pesquisas acadêmicas independentes, está a necessidade de mais financiamento para questões que não são de interesse da indústria farmacêutica.

"O principal desafio que enfrentamos é a enorme dificuldade de encontrar financiamento para estudos acadêmicos não promovidos pelo setor farmacêutico", disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado