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MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, negou que a greve médica, que vem ocorrendo de forma intermitente há meses, seja a causa do aumento das listas de espera no sistema de saúde e, ao contrário, afirmou que essas listas aumentaram em 64% “desde que a senhora Ayuso governa” em Madri.
“Nos últimos dois anos, temos um milhão de pessoas em lista de espera, um em cada sete madrilenhos está em lista de espera”, destacou ela no plenário do Senado, em resposta a uma pergunta feita pelo membro do Partido Popular (PP), José Manuel Aranda, sobre as consultas médicas canceladas em decorrência das referidas paralisações.
Nesse contexto, García, que afirmou estar se referindo a dados do “final de 2025”, citou também o exemplo de Aragão e de seu presidente, Jorge Azcón. “O problema das listas de espera não são os 7% dos profissionais que estão em greve ou que estiveram em greve”, destacou, para ressaltar que “o problema das listas de espera em Aragão chama-se Azcón”.
Por outro lado, Aranda acusou a ministra de não apresentar propostas diante das consultas médicas canceladas. “Os fatos demonstram que a senhora está sozinha, que nunca busca um acordo nem um consenso”, e que “destrói as pontes de entendimento com os profissionais”, afirmou, motivos pelos quais pediu sua renúncia.
O PP ESTIMA EM QUATRO MILHÕES OS ATENDIMENTOS MÉDICOS CANCELADOS
Além disso, o senador do Partido Popular fez um balanço da greve médica, que resulta, até o momento, em “quatro milhões de atendimentos médicos cancelados”, o que faz com que a Saúde “entre em um terreno de incerteza sem precedentes” diante da “ausência total de propostas” por parte do Ministério da Saúde. De fato, ele denunciou que o titular do ministério “tentou encobrir sua incompetência abrindo falsos debates sobre competências e culpando médicos e comunidades autônomas”.
Em sua opinião, García, quando deixar esse ministério, “deixará um rastro de confronto, sectarismo e falta de soluções para os cidadãos, e também para os profissionais”. Enquanto isso, “pare de dedicar tantas horas à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Comunidade de Madri”, pediu-lhe.
No entanto, a ministra voltou a propor a intervenção das comunidades autônomas como solução para o conflito, já que “a resposta remonta ao ano de 2002, quando ocorreram as transferências de competências na área da Saúde”. “O Ministério fez seu trabalho e agora cabe às comunidades, entre outras, aquelas que vocês governam”, afirmou.
“Considerarei uma vitória minha e das forças progressistas que vocês venham aqui, 20 anos depois, para falar sobre as condições de trabalho dos profissionais de saúde, da defesa da Saúde Pública e da defesa dos pacientes”, expôs ela, destacando igualmente a importância de se defender “o direito constitucional à greve”.
INSISTE QUE AS COMPETÊNCIAS SÃO DAS COMUNIDADES
A ministra, que insistiu que os profissionais que participam das paralisações “já sabem a qual instância devem recorrer” e “já perceberam, há semanas, que as competências pertencem e são exercidas pelas comunidades autônomas, sobretudo pelas comunidades governadas pelo PP”, denunciou, mais uma vez, que esse partido tenta “instrumentalizar o descontentamento dos profissionais”.
Por fim, ela destacou que a presidente do Governo de Madri, Isabel Díaz Ayuso, transforma “as listas de espera e as condições de trabalho” em “recursos para a ‘Quirón’”. Especificamente, ele estimou esse valor em “6.500 milhões” de euros, “que muito bem poderiam ter sido destinados a essas listas de espera e também às condições de trabalho”.
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