Gabriela Sardá Núñez - Europa Press
MADRID, 17 ago. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Saúde, Mónica García, reiterou nesta segunda-feira, um dia após visitar Ceuta, que “estamos muito longe” de um colapso do sistema de saúde na cidade autônoma, mas solicita a cessão de espaços públicos para acolher os imigrantes em condições sanitárias adequadas, de modo que possam ser atendidos de forma adequada, acompanhados e que se possam realizar investigações epidemiológicas para evitar possíveis surtos.
“A situação, sabendo que há uma pressão assistencial significativa, não chegou a se tornar um colapso, pois esse é um termo técnico que se aplica quando já não é possível disponibilizar mais recursos, a demanda supera a capacidade e é necessário que os colegas que estão de férias retornem, pedir ajuda a outras comunidades autônomas ou considerar que pacientes de Ceuta não possam ser atendidos. Estamos muito longe desse cenário”, afirmou a ministra em declarações à TVE divulgadas pela Europa Press.
Nesse sentido, ela esclareceu que “não
, E os números que temos mostram que as pessoas puderam ir aos seus centros de saúde, aos pronto-socorros e ao hospital normalmente, porque os circuitos foram reforçados e contamos com a colaboração da Cruz Vermelha, de ONGs e de associações que atuam no terreno e que colaboram conosco na prevenção de certas patologias que poderiam chegar ao hospital”.
A ministra reconheceu o “esforço extra” dos profissionais de saúde nessa situação. “Por isso, disponibilizamos um reforço de mais 60 profissionais, até 31 de agosto, e iremos avaliar se é necessário continuar ampliando. Fizemos um esforço em Ceuta e Melilla, que estão sob nossa jurisdição, reforçando o quadro de funcionários das unidades de emergência em cerca de 17%, além do restante do quadro. Temos um quadro orgânico de 1.000 profissionais e, no entanto, temos 1.465 contratados”.
Diante dessa situação, ela voltou a defender como “a prioridade mais urgente” garantir condições de higiene e habitabilidade aos imigrantes que continuam nas ruas de Ceuta. “Estamos buscando soluções conjuntas para encontrar locais adequados, saudáveis e seguros, que nos cedam espaços para poder abrigá-los”, destacou, ao mesmo tempo em que garantiu que “não há falta de medicamentos nem de atendimento”, mas sim de locais onde seja possível atendê-los e acompanhá-los.
Nesse sentido, explicou que o Ministério da Defesa já disponibilizou locais públicos e instalações para esse fim, mas García exigiu que a cidade ceda instalações, como ocorreu durante a chegada em massa de 2021.
“Em 2021, Ceuta disponibilizou instalações que agora não estão disponíveis e que reivindicamos, pois o que está em jogo é a prevenção da saúde pública. Até o momento, detectamos poucos casos de infecções leves (gastrointestinais, dermatológicas...), que são resultado das condições de superlotação e insalubridade em que vivem os imigrantes; por isso, pedimos que se faça o mesmo que em 2021”.
A ministra destacou que “há alguns dias, Ceuta compreendeu que, independentemente de se ter que repatriá-los ou não, é preciso cuidar das pessoas que estão aqui, atendê-las e proporcionar-lhes condições dignas. A cidade disponibilizou alguns galpões e mais chuveiros, redobrou os esforços em saneamento, pois as competências em saúde pública são da cidade. Parece haver uma certa receptividade para que todos juntos assumamos essa situação e evitemos condições insalubres que possam dar origem a infecções”.
García concluiu insistindo que o Governo esteve “desde o primeiro momento em Ceuta”, pois o Ministério da Saúde detém as competências em matéria de assistência médica.
Segundo ele, “as medidas de contenção e o que aprendemos durante a pandemia em termos de logística adequada à situação permitiram que não houvesse colapso, pois metade do hospital tem leitos vagos; foram contratados mais 60 profissionais, a demanda por assistência médica vem diminuindo a cada dia e nenhuma cirurgia ou atendimento aos moradores de Ceuta foi suspenso”.
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