SANTIAGO DE COMPOSTELA 11 ago. (EUROPA PRESS) -
Há 114 anos, em 17 de abril de 1912, a Galícia ficou às escuras em pleno meio-dia por alguns breves segundos. O fenômeno pôde ser observado na região de Valdeorras (Ourense) e constitui o antecedente mais próximo do que será nesta quarta-feira, nas palavras do astrônomo José Ángel Docobo, “o eclipse de nossas vidas”, o eclipse solar total que atravessará completamente metade da Comunidade e que não se repetirá por mais de um século.
Embora em 1912 o fenômeno observado na Galícia tenha sido semelhante a um “eclipse total”, naquela ocasião não foi exatamente isso. Para saber qual foi o último eclipse total real que atravessou a comunidade, em uma faixa muito semelhante à deste ano, é preciso voltar um pouco mais no tempo, até 30 de agosto de 1905.
O eclipse solar total de 30 de agosto de 1905, que atravessou a Península Ibérica ao meio-dia, foi um dos eventos científicos e sociais mais marcantes do início do século XX. Na Galícia, o fenômeno entrou pelo norte e noroeste, em uma distribuição muito semelhante à desta quarta-feira, mas com um alcance mais amplo: a fase total durou cerca de três minutos e meio de escuridão total sobre a Comunidade.
Alguns anos depois, e apenas dois dias após o naufrágio do Titanic, em 17 de abril de 1912, a região de Valdeorras voltaria a testemunhar um eclipse, neste caso híbrido. A diferença entre os dois fenômenos residia no fato de que, enquanto o de 1905 foi um eclipse total (a posição da Lua a torna “maior” em perspectiva do que o Sol, de modo que o cobre completamente), o de 1917 foi, em sua maior parte, anular (com a Lua mais distante da Terra, de modo que não cobre a totalidade do disco solar, mas deixa um anel de luz).
Este último eclipse foi híbrido, além disso, porque na zona de máxima proximidade da Lua, como foi o caso de Valdeorras, a deformação da atmosfera fez com que a Lua chegasse a cobrir exatamente 100% do Sol durante alguns breves segundos. A faixa de totalidade desse eclipse abrangeu apenas alguns quilômetros.
Como o tamanho dos dois astros coincidiu, os observadores puderam então ver um fenômeno curioso: as famosas “pérolas de Baily”, que nada mais são do que pontos de luz da borda solar filtrados pelas irregularidades da superfície lunar.
UM SÉCULO DE ESPERA
Neste dia 12 de agosto, após mais de um século de espera, a faixa de totalidade voltará a cobrir diagonalmente a Galícia. O eclipse poderá ser visto na totalidade na maior parte da província de A Coruña, em toda a província de Lugo e em alguns pontos de Ourense. No restante da comunidade, a visibilidade será superior a 90%.
O fenômeno terá início por volta das 19h30 — dependendo da região da Galícia — e terminará às 21h20. O momento de máximo escurecimento ocorrerá por volta das 20h30, quando o sol estará a cerca de 12 graus acima do horizonte, ou seja, próximo do pôr do sol.
A faixa de totalidade de um eclipse solar não se repetirá em solo galego até daqui a mais de um século. Mesmo assim, nos anos de 2027 e 2028 haverá novos eclipses na Espanha, e suas faixas de totalidade/anularidade atravessarão principalmente o sul e o leste, sendo visíveis na Galícia apenas de forma parcial.
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