Publicado 16/09/2026 14:13

A Fundação Patologia Dupla encara com otimismo o possível impacto dos medicamentos agonistas do GLP-1 na patologia dupla

Archivo - Arquivo - Patologia dupla.
WILDPIXEL/ISTOCK - Arquivo

MADRID 16 set. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Fundação Patologia Dual, o psiquiatra Néstor Szerman, afirmou que encara com “entusiasmo e otimismo” o impacto que os medicamentos agonistas do hormônio GLP-1 podem ter no tratamento da combinação entre um vício e outro transtorno mental.

“Esses medicamentos imitam a ação das incretinas, hormônios naturais produzidos no intestino, mas descobriu-se que esses hormônios também são produzidos no cérebro, em áreas cerebrais onde atuam como neurotransmissores e neuromoduladores em circuitos endógenos ligados ao sistema de recompensa dopaminérgico do cérebro”, indicou, em seguida acrescentou que “eles modulam a dopamina fásica (aumento da dopamina que ocorre diante de um estímulo, como, por exemplo, a ingestão de álcool) e preservam a dopamina tônica, que mantém o funcionamento adequado do sistema de recompensa cerebral”.

Nesse sentido, ele destacou que “esse mecanismo poderia explicar o menor efeito de substâncias como o álcool, o que possibilita reduzir o consumo de forma significativa”. A isso, acrescentou os resultados de um recente ensaio clínico randomizado publicado na revista especializada ‘The Lancet’ e realizado com 108 pacientes que receberam um tratamento de 26 semanas com administração subcutânea de semaglutida para o transtorno por consumo de álcool de moderado a grave e para a obesidade.

Este estudo demonstrou que, em comparação com o placebo, aqueles que receberam o tratamento com semaglutida apresentaram uma redução significativa no consumo total de álcool e no número de dias de consumo intenso. Além disso, outras metanálises posteriores confirmaram esses dados em relação a esse medicamento, que potencializa a ação do GLP-1, regulando o apetite, retardando o esvaziamento do estômago e estimulando a produção de insulina.

EXISTEM ESTUDOS PARA CORROBORAR O EFEITO

Existe “um enorme interesse” em corroborar essas descobertas na prática clínica, continuou o membro do Grupo de Pesquisa em Neurociências e Saúde Mental do Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, de Madri, que acrescentou que já existem vários ensaios clínicos controlados e randomizados com diversos medicamentos agonistas do GLP-1.

Além disso, ele explicou que os medicamentos apresentam “um efeito anti-inflamatório e neuroprotetor, o que explicaria seus possíveis efeitos sobre outros diagnósticos que envolvem o cérebro e seus distúrbios, mas também sobre sistemas diferentes, como, por exemplo, a doença respiratória crônica”. “Acreditamos que eles não apenas melhorariam a dependência, mas também os outros transtornos mentais que a acompanham, o que é conhecido como patologia dupla”, especificou.

De qualquer forma, ele lembrou que “para tratar o transtorno de dependência do álcool, existem atualmente tratamentos com evidências científicas de certa eficácia”. No entanto, “apenas 2% das pessoas que precisam desses tratamentos estão em tratamento com eles”, observou, após o que afirmou que “os especialistas não os prescrevem e, devido aos seus efeitos colaterais, há uma alta taxa de abandono”, ao que acrescentou o estigma associado.

Por fim, Szerman observou que “embora também haja resultados, ainda preliminares, que indicariam que os agonistas do receptor GLP-1 podem ser eficazes no tratamento de outros tipos de dependência de substâncias, como o tabaco e os opiáceos”, essa relação “ainda é controversa e carece de mais evidências científicas”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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