HOSPITAL UNIVERSITARIO FUNDACIÓN JIMÉNEZ DÍAZ
MADRID 30 mar. (EUROPA PRESS) -
O Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz destacou que, nos últimos anos, reforçou seu modelo de neurorreabilitação com a incorporação de tecnologia robótica avançada integrada à prática clínica diária, o que, segundo o hospital, representou uma mudança significativa na forma de abordar o tratamento de pacientes com patologias neurológicas.
“Isso representa uma mudança real na forma de abordar a reabilitação neurológica”, destacou Raquel Cutillas, chefe associada do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do hospital madrilenho, que ressalta que esse avanço responde a uma maneira diferente de entender o tratamento, mais centrada nas necessidades reais do paciente.
Essa abordagem se baseia em terapias que envolvem intensidade, repetição e precisão, três fatores-chave para estimular a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do sistema nervoso de se reorganizar após uma lesão. Concretamente, ela é aplicada em pacientes com lesões cerebrais adquiridas, como acidente vascular cerebral ou traumatismo cranioencefálico, lesão medular ou doenças neurodegenerativas, como Parkinson ou esclerose múltipla.
Entre os dispositivos mais avançados do parque tecnológico, destaca-se o exoesqueleto de marcha para adultos, um sistema que se ajusta ao corpo do paciente e permite que ele se levante e ande desde as fases mais precoces de sua recuperação. Conforme detalha Cutillas, “esse tipo de tecnologia facilita a marcha e permite repeti-la de forma controlada, segura e com uma qualidade biomecânica difícil de reproduzir manualmente”, o que é determinante nos processos de recuperação neurológica.
A este sistema somam-se dispositivos robóticos para membros superiores que auxiliam no trabalho do braço e da mão em atividades funcionais, bem como plataformas de equilíbrio que treinam a estabilidade por meio de exercícios dinâmicos. Tudo isso é complementado por ambientes de realidade virtual, tanto imersivos quanto não imersivos, que introduzem objetivos e desafios durante a terapia. “O paciente repete movimentos ao mesmo tempo em que os integra em tarefas com sentido”, acrescenta a especialista, o que favorece tanto a motivação quanto a adesão ao tratamento.
UM TRATAMENTO ADAPTADO A CADA PACIENTE
Segundo o centro, o uso dessas tecnologias se integra a uma abordagem global e parte sempre de uma avaliação individualizada que permite ajustar a intensidade tolerada e o tipo de terapia. A partir dessa avaliação, é elaborado um plano terapêutico adaptado à situação clínica, ao momento evolutivo e à capacidade funcional de cada pessoa. Durante as sessões, o paciente mantém um papel ativo.
“A tecnologia acompanha e facilita o trabalho, mas o esforço continua sendo do paciente”, indica Cutillas. Essa combinação permite aumentar o número de repetições de cada exercício, com ajustes em tempo real e um acompanhamento ativo. Este modelo se baseia no trabalho coordenado de uma equipe multidisciplinar formada por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e médicos de reabilitação.
“Somos nós que definimos os objetivos funcionais junto com o paciente e decidimos quais ferramentas utilizar em cada fase”, ressalta. Na prática, isso se traduz em sessões combinadas. “Um mesmo paciente pode treinar a marcha com exoesqueleto, continuar com robótica do membro superior e terminar com terapia voltada para as atividades da vida diária”, explica.
MAIOR INTENSIDADE TERAPÊUTICA E MAIOR ENVOLVIMENTO DO PACIENTE
O Hospital destaca que, entre as principais vantagens dessa abordagem, está a possibilidade de realizar tratamentos mais intensivos e precisos. “A tecnologia permite ajustar o nível de assistência, a velocidade ou a amplitude do movimento de acordo com a evolução do paciente”, indica Cutillas, o que favorece uma adaptação contínua do tratamento.
A isso se soma o componente motivacional: “O paciente deixa de fazer exercícios para passar a alcançar objetivos”, aponta, referindo-se ao uso de realidade virtual e dinâmicas de gamificação que aumentam o envolvimento no processo de reabilitação. Em termos de resultados, a experiência do hospital madrilenho mostra melhorias na marcha, no equilíbrio, na função dos membros superiores e na capacidade de realizar atividades da vida diária, em consonância com as evidências científicas disponíveis.
Por fim, garantem que o uso do exoesqueleto tem um impacto relevante em pacientes com alterações na marcha de origem neurológica. Ele permite trabalhar precocemente a bipedestação e a marcha com um padrão adequado, trazendo benefícios nos níveis motor, sensorial e proprioceptivo. Também contribui para melhorar a força, a resistência, o controle postural e a função cardiovascular, além de ajudar a prevenir complicações associadas à imobilidade.
Mas, além dos avanços físicos, há um componente emocional que faz a diferença. “Conseguir ficar em pé e dar passos tem um efeito muito poderoso no paciente”, destaca Cutillas, que insiste na importância desse aspecto durante o processo de recuperação. Com esse modelo, a Fundação Jiménez Díaz continua avançando na integração de tecnologia e conhecimento clínico.
“Estamos incorporando ferramentas que nos permitem oferecer tratamentos cada vez mais adaptados a cada paciente”, afirma. Olhando para o futuro, a especialista prevê uma maior presença desses sistemas na prática assistencial, com dispositivos mais acessíveis e conectados. “A reabilitação robótica estará cada vez mais integrada”, em um cenário em que a tecnologia permitirá projetar tratamentos mais personalizados e acompanhar o paciente também fora do ambiente hospitalar, conclui.
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