Publicado 20/04/2026 06:29

A Fundação Dinópolis participa de um estudo que descreve a evolução em mosaico dos primeiros dentes-de-sabre

Lazer
MAURICIO ANTÓN

TERUEL 20 abr. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores da Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis, da Agência Aragonesa para a Pesquisa e o Desenvolvimento (ARAID), do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC) e da Universidade de Valladolid publicou na BMC Zoology um estudo funcional detalhado da extremidade posterior do felino “dentes de sabre” Promegantereon ogygia proveniente do sítio do Mioceno Superior de Batallones-1, em Torrejón de Velasco (Madri), um dos locais mais importantes do mundo para o conhecimento da evolução desses carnívoros.

Curiosamente, fósseis desse felídeo também foram encontrados no sítio arqueológico de La Roma-2, localizado em Alfambra (Teruel). O estudo compara os diferentes ossos que compõem a extremidade posterior do Pr. ogygia com os de felídeos atuais de tamanho semelhante, concentrando-se em suas proporções, estruturas de inserção muscular e forma das articulações.

Essas observações revelam inúmeras diferenças entre a extremidade posterior do Pr. ogygia (que pertence à subfamília extinta dos Machairodontes) e a de seus parentes, os felídeos atuais das subfamílias Felinae e Pantherinae, e mostra várias características também observadas no felídeo mais antigo conhecido, o Proailurus lemanensis, o que destaca como a evolução da morfologia macairodontina ocorreu de forma mosaica, ou seja, nem todas as partes do esqueleto mudaram ao mesmo tempo durante a história evolutiva do grupo.

"Em publicações anteriores, estudamos a anatomia funcional do crânio e da extremidade anterior do Pr. ogygia, descrevendo esse macairodontino como um exemplo do padrão em mosaico que caracterizou a evolução desse grupo de felídeos, já que ele apresenta uma mistura de traços derivados e primitivos na mandíbula, no crânio e na extremidade anterior”, conta Manuel Salesa, pesquisador científico do departamento de Paleobiologia do MNCN-CSIC.

Mauricio Antón, colaborador desse mesmo departamento e coautor do trabalho, acrescenta: “No entanto, a extremidade posterior manteve basicamente a morfologia dos primeiros felídeos conhecidos, exceto por uma parte importante para a locomoção: a pelve”.

“De fato”, continua Manuel Salesa, “a pelve apresenta adaptações para gerar uma enorme força propulsora durante a locomoção e para controlar os movimentos laterais da região lombar, o que está relacionado ao método de caça dos macairodontes”.

Além disso, algumas características encontradas nos fósseis do Pr. ogygia surpreenderam os cientistas: “a faceta para o menisco medial e seu correspondente ligamento transverso, localizada na epífise proximal da tíbia, está muito reduzida, o que não tem uma explicação clara”, indica Juan Francisco Pastor, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de Valladolid (UVa).

No entanto, outras características que os pesquisadores denominam primitivas, por não terem mudado no Pr. ogygia em relação aos primeiros felídeos conhecidos, apresentam um claro componente locomotor, segundo aponta Gema Siliceo, pesquisadora da ARAID na Fundação Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis.

“O calcâneo do Pr. ogygia, por exemplo, possui inserções musculares muito desenvolvidas para músculos diretamente envolvidos na flexão do pé, característica de carnívoros com grande habilidade para escalar.” E é que o Pr. ogygia teve que compartilhar seu habitat com carnívoros muito maiores e mais perigosos do que ele, e provavelmente subir em árvores seria uma forma de sobreviver nesse ambiente.

“Em Batallones, encontramos fósseis de outro felídeo macairodontino, o Machairodus aphanistus, do tamanho de um tigre siberiano, mas também de ursos gigantes e duas espécies de anfitionídeos, carnívoros de mais de 200 quilos pertencentes a uma família sem representantes atuais; isso nos permite inferir um habitat relativamente arborizado, onde o Pr. ogygia, que não ultrapassaria os 65 kg, encontraria refúgio contra o ataque desses gigantes”, aponta Manuel Salesa.

"Sabemos que este felídeo estava presente nas faunas do Mioceno Superior de Teruel e, de fato, um dos fósseis mais interessantes deste animal provém de Alfambra, onde, há alguns anos, encontramos um rádio patológico que serviu para estudar como os acidentes de caça afetavam esses predadores", conclui Gema Siliceo.

Os fósseis de Promegantereon ogygia, juntamente com os de outros felinos “dentes-de-sabre”, podem ser vistos atualmente até outubro de 2026 na exposição “Dentes de Sabre”, no Museu Arqueológico e Paleontológico da Comunidade de Madri (MARPA), em Alcalá de Henares (Madri).

Além disso, na sala de mamíferos do Museu Aragonês de Paleontologia, em Dinópolis (Teruel), está exposto o único rádio patológico de Pr. ogygia conhecido no mundo, encontrado no sítio arqueológico de La Roma-2, em Alfambra.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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