Publicado 17/09/2026 07:26

A Funcas alerta que a nova Lei de Dependência enfrentará dificuldades na implementação e exigirá “muito mais do que dinheiro”

A Funcas alerta que a nova Lei de Dependência enfrentará dificuldades na implementação e exigirá “muito mais do que dinheiro”
FUNCAS

Elisa Chuliá apresenta um livro sobre cuidados de longa duração na Espanha

MADRID, 17 set. (EUROPA PRESS) -

A pesquisadora da Fundação das Caixas de Poupança (Funcas), Elisa Chuliá, alertou que a Lei de Dependência e Deficiência, aprovada ontem no Congresso dos Deputados, terá “dificuldades de implementação” e exigirá “muito mais do que dinheiro”.

“Não duvido das boas intenções e da vontade política do legislador”, mas “é arriscado pensar que, a curto prazo, possamos mudar as inércias”, apesar de a lei ser apresentada como “uma reformulação” do modelo. Especificamente, trata-se de uma reforma da Lei 39/2006, de 14 de dezembro, de Promoção da Autonomia Pessoal e Atendimento a Pessoas em Situação de Dependência.

Nesse sentido, Chuliá, que apresentou nesta quinta-feira o livro ‘Os cuidados de longa duração na Espanha. Um desafio no tempo de acréscimo”, publicado pela Funcas e coordenado por ela e José Antonio Herce, lembrou que o texto legal de 20 anos atrás foi elaborado “criando 17 subsistemas”. As comunidades autônomas os implementaram “da melhor maneira possível, dadas as circunstâncias extraordinariamente difíceis pelas quais passamos”, explicou ela, referindo-se às crises econômicas anteriores e posteriores à pandemia.

Assim, somado ao corte no financiamento por parte do Estado durante a primeira recessão econômica — o que fortaleceu a nova lei —, o custo “recaíu principalmente sobre as comunidades autônomas”, que priorizaram, em maior medida, os benefícios econômicos e negligenciaram os serviços assistenciais previstos na regulamentação.

“A lei enfatizava a necessidade de profissionalizar os cuidados de longa duração”, mas “foi implementada de forma que se desviava do modelo normativo”, destacou, ao mesmo tempo em que alertou para “muitas diferenças entre regiões”.

RETIFICAÇÃO DO MODELO

Diante disso, a nova norma, “na verdade, é uma retificação do processo de implementação do sistema desde 2007”, já que “não se baseava em um modelo normativo de cuidados domésticos e de sobrecarga familiar”, continuou ele, acrescentando, no entanto, que, para isso, serão necessários “recursos organizacionais, recursos de gestão e recursos que exigem tempo”.

No entanto, ele também aprofundou a questão econômica, pois, até agora, “para cada euro que o Estado paga em cuidados de longa duração, as famílias contribuem com 3,5 euros, incluindo a perda de produtividade”, ou seja, 17 bilhões contra os 65 bilhões dos cidadãos. De fato, “o gasto público com dependência na Espanha é muito menor do que em outros países”, como “os nórdicos, que investem entre 3% e 4% do PIB”, sendo que o gasto no país é de 0,8% e a média europeia, de 1,8%, precisou ele.

“Seriam necessários seis anos consecutivos com esse nível de gastos para nos aproximarmos da média europeia”, especificou ele em relação aos 6,2 bilhões a mais prometidos pelo governo na nova lei. As soluções econômicas propostas, que não são as únicas necessárias, como ele insistiu, “talvez não sejam suficientes”, razão pela qual ele ressaltou que “falar na reformulação de um modelo que está em vigor há 20 anos e, além disso, é descentralizado, é algo arriscado”.

Além disso, Chuliá acrescentou a evolução do número de beneficiários, que é “muito relevante”. Depois de ilustrar isso indicando que os quase 1,7 milhão refletidos no documento já são quase 1,8 milhão, ele observou que, desde 2021, esse número cresce “a 100 mil por ano”, com uma estimativa cautelosa da Funcas de que chegarão a 2,5 milhões em 2050.

O CRESCIMENTO DA DEMANDA ESTÁ SENDO SUBAVALIADO

Por isso, ele insistiu que existe uma “reserva inicial” quanto à rápida eficácia da norma e incentivou a ser “cauteloso” em relação ao “propósito de corrigir alguns aspectos e acrescentar benefícios que se deseja impulsionar agora”. “É preciso ser um pouco mais modesto”, já que “estão subestimando” questões como “o crescimento da demanda” e “a diversidade do grupo”.

Nesse ponto, ele explicou que o texto pretende “colocar a pessoa no centro” e que seja ela quem decida sobre seus cuidados, mas “na Espanha há centenas de milhares de pessoas com deterioração cognitiva”, as quais “não podem tomar decisões”. “É preciso consultar os familiares em pé de igualdade”, ressaltou.

De fato, a lei aposta na desinstitucionalização e, considerando que há mais de 300 mil pessoas em lares, questionou se será possível garantir os recursos necessários nas residências para aquelas que desejarem retornar a elas. Por outro lado, os especialistas consideram que são necessárias 50 mil novas vagas em lares, apesar das 20 mil vagas disponíveis atualmente.

No entanto, ele considerou positivo o aumento da teleassistência previsto no texto legal e dos cuidados profissionais de assistência domiciliar, dos quais “apenas um terço” dos beneficiários recebe atualmente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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