Publicado 29/05/2025 05:44

A fumaça dos carros modernos a gasolina acaba sendo mais tóxica

Os autores analisaram as maneiras de reduzir a poluição do ar dos veículos que utilizam filtros de partículas, examinando a eficiência, o manuseio de partículas, a regeneração e os possíveis aprimoramentos.
PEXELS

MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -

As emissões dos modernos carros a gasolina, mesmo que estejam em conformidade com o padrão europeu de emissões EURO 6d, podem se tornar significativamente mais prejudiciais após serem liberadas na atmosfera.

As descobertas de um novo estudo, publicado na Science Advances, desafiam a suposição de que o escapamento filtrado de veículos em conformidade com a norma EURO 6d é inerentemente seguro.

A pesquisa, liderada pela Helmholtz Munich e pela Universidade de Rostock, concentrou-se em um veículo a gasolina equipado com um filtro de partículas de gasolina (GPF), projetado para reduzir drasticamente as emissões de partículas primárias.

ENVELHECIMENTO FOTOQUÍMICO

Os gases de escapamento recém-emitidos não apresentaram efeitos citotóxicos detectáveis em células pulmonares humanas. No entanto, quando os gases de escapamento passaram por um envelhecimento fotoquímico (um processo de transformação natural impulsionado pela luz solar e por oxidantes atmosféricos), eles se tornaram substancialmente mais tóxicos.

As emissões envelhecidas causaram danos consideráveis ao DNA e estresse oxidativo tanto nas células epiteliais alveolares cancerosas quanto nas células brônquicas normais. Essa toxicidade não estava associada apenas às partículas recém-formadas, conhecidas como aerossóis orgânicos e inorgânicos secundários (OSA e SIA), mas também aos compostos oxigenados voláteis, como os carbonilos, gerados durante sua permanência na atmosfera.

DEFICIÊNCIA CRÍTICA

De acordo com a Dra. Mathilde Delaval, primeira autora do estudo e pesquisadora da Helmholtz Munich, essas descobertas indicam uma deficiência crítica nos atuais testes e regulamentações de emissões de veículos.

Embora os padrões EURO 6d garantam baixas emissões pelo tubo de escape, eles não levam em conta as transformações químicas pelas quais essas emissões passam depois de liberadas no meio ambiente. "Nosso estudo mostra que estamos perdendo uma grande parte do cenário por não considerarmos como os gases de escape mudam e se tornam mais prejudiciais quando saem do veículo", disse ele.

As descobertas têm implicações importantes para a forma como os padrões de qualidade do ar são definidos e monitorados. As normas atuais se concentram principalmente nas emissões medidas diretamente após a combustão, sem levar em conta como essas emissões interagem com a luz solar e os produtos químicos atmosféricos para formar poluentes novos e mais prejudiciais.

"Há uma clara discrepância entre a forma como avaliamos as emissões dos veículos em laboratório e como elas se comportam no mundo real", disse o coautor, Dr. Hendryk Czech, da Helmholtz Munich e da Universidade de Rostock. "Se ignorarmos o que acontece com os gases de escape depois que eles entram na atmosfera, corremos o risco de subestimar o verdadeiro impacto da poluição do ar relacionada ao trânsito sobre a saúde.

A poluição do ar continua sendo um grande problema de saúde global, responsável por taxas crescentes de doenças respiratórias e cardiovasculares, câncer e morte prematura. A descoberta de que as emissões filtradas até mesmo dos carros a gasolina mais limpos podem se tornar tóxicas uma vez suspensas no ar sugere que as regulamentações futuras devem evoluir para tratar tanto dos poluentes primários quanto dos secundários.

Esse estudo foi um esforço conjunto de uma equipe multidisciplinar de biólogos, físicos de aerossóis e químicos que investigam os impactos da poluição do ar sobre a saúde.

OS TUBOS DE ESCAPE NÃO SÃO SUFICIENTES

Juntos, esses pesquisadores transmitem uma mensagem clara e urgente: regular as emissões dos escapamentos não é mais suficiente. Para realmente proteger a saúde pública, os padrões de emissões também devem levar em conta como os gases de escape evoluem e como eles se tornam mais tóxicos depois de liberados na atmosfera.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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