MADRID 25 set. (Portaltic/EP) -
A Fujitsu abordou, durante o Fujitsu Technology Open House realizado em Madri, a estratégia tecnológica global da empresa japonesa, destacando seus avanços em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e sua visão de negócios para os próximos dez anos, bem como o papel da Espanha como um “hub” fundamental para a empresa.
A presidente da Fujitsu Espanha, Ángeles Delgado, apresentou os pontos-chave do evento tecnológico durante uma coletiva realizada nesta quinta-feira com a imprensa especializada nos novos escritórios da empresa em Madri, onde, sob o lema “Transformação dinâmica”, destacou sua proposta empresarial baseada em ciclos contínuos de hipóteses, teste e aprendizado, nos quais as pessoas e a IA reconfiguram a organização de forma permanente.
“A capacidade de nos adaptarmos, de observar o ambiente, de aprender, de reagir e de incorporar os aprendizados à organização de maneira dinâmica é o que acreditamos que se tornará uma vantagem competitiva”, destacou Delgado sobre o lema do evento Fujitsu Technology Open House, durante o qual também foram apresentadas uma série de demonstrações sobre soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA) e “hardware” avançado.
“Um dos fatores-chave para estarmos presentes há 53 anos na Espanha é, não apenas nossa capacidade de criar relações de longo prazo e de confiança com nossos clientes, mas também nossa capacidade de ter sabido nos transformar e nos adaptar para, ao longo de diferentes ciclos econômicos, mudanças sociais e disrupções tecnológicas, estarmos sempre agregando valor”, explicou Delgado, reafirmando a posição da empresa na Espanha.
De fato, a diretora espanhola esclareceu que, sob essa perspectiva, a Fujitsu conta com mais de 2.600 profissionais e sete centros de excelência que atendem tanto ao mercado espanhol quanto a organizações em toda a Europa. Ela também destacou a entrada nos mercados de varejo e defesa como uma aposta da empresa, além de um dado que ressalta o ambiente positivo em que a empresa atua na Espanha: 100% de clientes satisfeitos, segundo a Whitelane.
A MUDANÇA CONSTANTE NAS EMPRESAS DE IA
No evento também estiveram presentes o diretor de tecnologia (CTO) da Fujitsu Global, Hiroshi Nishikawa, e o diretor de tecnologia (CTO) da Fujitsu Espanha, Carlos Cordero, que apresentaram os principais dados do relatório “Fujitsu Technology and Service Vision 2026”, destacando como, nos tempos atuais, planejar com precisão é muito menos importante do que aprender rapidamente e saber se adaptar.
Esse relatório resultou em um roteiro elaborado para orientar as organizações em um ambiente global marcado pela incerteza geopolítica e pela rápida evolução da inteligência artificial (IA), bem como para posicionar a Fujitsu como uma empresa nativa de IA.
Isso foi destacado por Nishikawa, que explicou que a própria Fujitsu já havia apresentado essa nova perspectiva tecnológica no mês de maio, com a implantação da IA de ponta a ponta, desde a alta administração até o restante da equipe, servindo de exemplo para outras organizações.
“Anteriormente, o lado negativo da organização empresarial japonesa tendia a seguir as regras ou estabelecer um plano e, uma vez definido, tentávamos segui-lo à risca. Mas agora não podemos seguir um plano fixo, porque a mudança é a regra, é tudo”, afirmou Nishikawa diante da necessidade das organizações de abandonar os modelos rígidos de gestão.
No relatório apresentado por Nishikawa e Cordero, que se baseia em uma pesquisa encomendada à empresa Dynata em fevereiro de 2026 e realizada com 1.000 executivos de nível CxO da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, a Fujitsu sustenta que “a mudança constante já é o normal”.
“Precisamos realmente ajustar nossa estratégia dia a dia. Esse ajuste é possível fazendo com que a IA estabeleça planos ou hipóteses, os verifique e ajuste nossos processos de negócios. Esse é o conceito de Transformação Dinâmica”, afirmou Nishikawa sobre o novo paradigma, no qual a colaboração entre humanos e IA permite que as empresas aprendam e se adaptem continuamente por meio de ciclos constantes de experimentação.
Assim, a adoção da tecnologia de IA nas empresas faz parte do eixo transformador, com números apresentados por Nishikawa que retratam melhor o panorama atual de mudança: mais de 40% das empresas já utilizam IA no trabalho de escritório e cerca de 30% utilizam IA e robótica em ambientes físicos, como armazéns, logística ou fábricas, no que a Fujitsu denomina de IA física.
Nesse ponto, Cordero reconheceu que a Espanha está atrás da média global em IA física. “A indústria na Espanha não está tão avançada em termos de robótica quanto o Japão ou a Alemanha. Temos indústria robotizada, mas ela está muito aquém do nível de outros países. E a IA física está diretamente relacionada à robótica; portanto, faz sentido que, se estamos atrasados na robotização de nossa indústria, também tenhamos um ritmo mais lento na implementação da IA física”, explicou.
AS DEMONSTRAÇÕES DO EVENTO DE P&D
Durante o evento, a Fujitsu realizou demonstrações “in situ” que abrangem desde “hardware” avançado até inteligência artificial aplicada, algumas das quais já são soluções comerciais à disposição dos clientes corporativos, como é o caso do agente de voz Aurora.
Nos diversos espaços do Fujitsu Technology Open House, a empresa apresentou o Amalgamation, que automatiza o projeto de modelos de visão computacional, e arquiteturas inteligentes, como o Multi-agent Framework (MAF), voltado para a geração de agentes de IA especializados em diversas áreas para tarefas de negócios, ou o AI Computing Broker, projetado para o gerenciamento eficiente de GPUs nas infraestruturas de LLMs por meio do processamento paralelo.
Além disso, o MONAKA, o processador da Arm de alto desempenho e baixo consumo de energia apresentado nesta terça-feira pela Fujitsu, foi outro dos destaques das demonstrações que impulsionam a IA física e a Indústria 4.0.
Por fim, a Fujitsu fez uma demonstração ao vivo das capacidades do agente de voz Aurora (utilizando a tecnologia da ElevenLabs) para oferecer suporte informático a empresas por meio de uma interação por voz, na qual o agente de IA se destaca por sua eficiência ao ser proativo, pelo acompanhamento da incidência, pela capacidade de falar diferentes idiomas e pelo conhecimento específico da empresa.
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