MADRID 1 ago. (Portaltic/EP) -
Uma das crises ecológicas mais urgentes atualmente é o desaparecimento dos recifes de corais, e a tecnologia pode fazer parte da solução por meio de projetos como o liderado pela Canon, Coral Spawning International (CSI) e Nature Seychelles, que utiliza recursos de imagem e equipamentos fotográficos de última geração para apoiar os processos de reprodução assistida dos corais, documentação visual e educação ambiental.
Os recifes de coral são ecossistemas essenciais para a vida marinha, pois sustentam uma enorme biodiversidade, abrigando cerca de 25% das espécies marinhas. Além disso, eles também são importantes para proteger o litoral contra tempestades, sustentam a economia de muitas comunidades costeiras e se tornaram uma fonte de recursos biológicos com potencial medicinal.
No entanto, esses ecossistemas estão sendo afetados por diversas causas que estão levando ao seu desaparecimento, com ameaças como as mudanças climáticas, a poluição, as práticas pesqueiras destrutivas e a acidificação da água.
Nesse contexto, as organizações Coral Spawning International, especializada em métodos de reprodução sexual de corais em instalações terrestres controladas, e a Nature Seychelles, trabalham para apoiar processos de reprodução assistida com o objetivo de repovoar os ecossistemas por meio do primeiro laboratório de reprodução de corais no Oceano Índico Ocidental.
No caso da CSI, ela se destaca por ter desenvolvido o primeiro sistema do mundo de desova previsível de corais em um laboratório terrestre, baseado em tanques de alta tecnologia que reproduzem as condições do oceano.
Esses sistemas recriam fielmente o ambiente marinho, mantendo estável a composição química da água e com iluminação programada para imitar as mudanças sazonais do mundo real. Dessa forma, é possível realizar de maneira previsível e controlada a desova, ou seja, o processo biológico pelo qual os animais aquáticos liberam seus óvulos e espermatozoides na água para se reproduzir.
Conforme explicou o cofundador da CSI, Jamie Craggs, ao contrário dos métodos tradicionais de restauração, que se baseiam no cultivo de fragmentos genéticos, a abordagem da organização “concentra-se em criar corais com características genéticas mais resistentes”.
Isso porque eles conseguem criar corais capazes de resistir de forma sistemática aos fenômenos que os prejudicam, como o branqueamento dos corais provocado pelo aumento da temperatura dos oceanos.
TECNOLOGIA DE IMAGEM COMO FERRAMENTA VITAL DE PESQUISA
A organização destacou como grande parte desse projeto depende do acompanhamento e da documentação visual das diferentes fases do processo de reprodução dos corais. É nesse momento que a tecnologia de imagem, tanto a fotografia quanto o vídeo, assume importância vital.
Assim, nesta iniciativa, também participa a empresa japonesa Canon, especializada em lentes e fotografia, que coloca à disposição dos corais marinhos sua tecnologia de captura de imagem, capaz de revelar as mudanças mais imperceptíveis a olho nu.
“A tecnologia da Canon me permite capturar as mudanças biológicas em pequena escala que são impossíveis de observar a olho nu. As imagens não são apenas documentação, mas uma ferramenta científica que nos ajuda a compreender e transmitir a complexidade da reprodução dos corais”, explicou Craggs.
Além de apoiar a iniciativa com financiamento, os pesquisadores utilizam equipamentos de imagem de última geração fornecidos pela Canon, como câmeras de alta resolução, lentes e equipamentos de vídeo, que permitem capturar os corais “com um nível de detalhe sem precedentes”.
Esses equipamentos permitem observar os processos de reprodução com clareza e, com isso, prever os ciclos de desova dos corais que, por natureza, ocorrem apenas algumas noites por ano. Ou seja, possibilita a coleta dos óvulos e do esperma necessários para realizar o processo de fertilização. “É possível identificar a noite exata em que ocorre a desova”, afirmou a empresa.
Nessa linha, essa tecnologia também está permitindo criar uma enciclopédia visual completa sobre a reprodução dos corais, possibilitando observar, inclusive em nível microscópico, como diferentes espécies se reproduzem, interagem e se desenvolvem. Isso se traduz em novos conhecimentos que permitem cruzar diferentes variedades para obter corais mais resistentes.
Da mesma forma, permite otimizar os cuidados com os corais para garantir sua sobrevivência, incluindo dados como “a taxa de crescimento, as taxas de mortalidade e a viabilidade dos embriões”.
EQUIPAMENTOS DA CANON QUE FOTOGRAFIAM CORAIS
Atualmente, a equipe do CSI está utilizando câmeras Canon EOS R5 Mark II e EOS R6 Mark II, bem como as lentes RF 100 mm f/2.8L MACRO IS USM, RF 15-35 mm f/2.8 L IS USM e MP-E 65 mm f/2.8 1-5x, para fotografar os corais.
Essas câmeras oferecem a flexibilidade necessária para trabalhar em “uma variedade extraordinária de condições”, desde eventos de desova com pouca luz até a obtenção de imagens de embriões com grande ampliação. “Sua faixa dinâmica e sua confiabilidade são fundamentais para gerar registros científicos confiáveis”, acrescentou Craggs.
No entanto, a escolha desses dispositivos para o projeto não é por acaso: a Canon trabalhou em conjunto com a equipe de cientistas do CSI para identificar as necessidades específicas do processo de captura de imagens.
Por exemplo, elas permitem capturar imagens nos tanques e criar modelos tridimensionais por meio de técnicas de fotogrametria. “Graças ao Canon EOS Utility, podemos controlar remotamente e com precisão as câmeras instaladas em nossos microscópios. Isso agiliza a captura de dados, reduz a vibração e garante resultados replicáveis ao acompanhar o desenvolvimento dos ovócitos ao longo do tempo”, explicou ele.
UMA TECNOLOGIA DE IMAGEM JÁ EM USO
No entanto, a organização destacou que a tecnologia da Canon e da CSI já está sendo utilizada na instalação Assisted Recovery of Corals (ARC), administrada pela Nature Seychelles, um laboratório que está formando um banco genético de corais resistentes e preparando equipes locais para gerenciar as iniciativas de restauração.
Como resultado, desde novembro, o laboratório produziu com sucesso mais de 800.000 embriões de coral e, desses, cerca de 65.000 conseguiram se fixar e começar a crescer como novos corais.
“A tecnologia da Canon também nos permite desvendar os segredos da reprodução dos corais, o que resultará em estratégias de conservação mais eficazes e, em última instância, inspirará uma mudança real na forma como protegemos e regeneramos esses ecossistemas vitais”, acrescentou o CEO da Nature Seychelles, Nirmal Shah.
“É fantástico ver o importante trabalho que estão realizando e compreender como nossos produtos e nossa tecnologia podem ajudá-los em suas atividades de pesquisa e monitoramento, bem como na divulgação educacional do trabalho de conservação que realizam”, concluiu a esse respeito o diretor de Sustentabilidade e Assuntos Governamentais para a região EMEA da Canon Europa, Peter Bragg.
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