Publicado 14/04/2026 08:39

O Fórum de Atenção Primária apela ao reforço da formação dos médicos em residência para garantir o seu futuro

Pede que as vagas na Atenção Primária sejam preenchidas apenas por especialistas

Imagem do dia.
FORO DE ATENCIÓN PRIMARIA

MADRID, 14 abr. (EUROPA PRESS) -

O Fórum de Atenção Primária reivindicou nesta terça-feira o reforço urgente da Formação Sanitária Especializada (FSE) nas especialidades de Medicina Familiar e Comunitária e Pediatria de Atenção Primária, para garantir o futuro desse nível de assistência e assegurar a renovação geracional.

Foi o que solicitaram as organizações que compõem o Fórum durante um evento realizado na sede da Organização Médica Colegial (OMC) por ocasião do Dia Mundial da Atenção Primária.

“Com o iminente processo de seleção de vagas para o MIR, este evento adquire especial relevância como reconhecimento do valor da formação em saúde especializada, uma garantia de segurança para os pacientes e de sustentabilidade para o sistema que somente o modelo MIR oferece”, destacou Remedios Martín, presidente da Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunitária (semFYC) e porta-voz do Fórum.

O Fórum destacou que ambas as especialidades garantem a atenção integral ao longo da vida, desde a infância até a idade adulta, e constituem a base de um modelo de saúde acessível, eficaz e centrado nas pessoas.

No entanto, considera necessário proteger as vagas na Atenção Primária para evitar tensões no sistema público, melhorar a continuidade assistencial, a qualidade da assistência, a segurança assistencial, a orientação integral desse âmbito assistencial e seu modelo de intervenção holística.

O Fórum insiste que o sistema MIR deve garantir não apenas um número suficiente de especialistas, mas também uma formação de qualidade, adaptada à realidade assistencial da Atenção Primária. Para isso, considera imprescindível aumentar o orçamento destinado à formação em saúde especializada em Atenção Primária; garantir tempo protegido para o ensino nos centros de saúde; fortalecer as unidades de ensino e os centros de saúde de ensino como ambientes-chave para a formação de especialistas; e assegurar a disponibilidade de tutores credenciados e reconhecer seu trabalho docente.

“É também o momento de afirmar com clareza que a Atenção Primária não pode se sustentar com atalhos que comprometam a qualidade da assistência, e que as vagas em Medicina de Família e Comunitária devem ser preenchidas exclusivamente por profissionais com a especialidade correspondente”, destacou Martín.

Nessa linha, a porta-voz do Fórum destacou que a contratação de profissionais sem titulação oficial não é uma solução: “Não resolve o problema estrutural de recursos humanos e enfraquece o modelo de Atenção Primária. Para a semFYC, é uma linha vermelha, porque proteger a formação especializada é proteger a qualidade do sistema”.

SAÚDE ABORDA A CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS SEM ESPECIALIDADE

Nesse contexto, o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, que participou do evento, anunciou que o Ministério propôs às comunidades autônomas um trabalho para abordar de forma “clara e decidida” a contratação de médicos sem especialidade.

“Estamos plenamente conscientes de que os médicos em todas as áreas, mas muito concretamente na Medicina Familiar e Comunitária, têm de ser especialistas”, destacou Padilla, acrescentando que “se alguém quiser trabalhar em um consultório de medicina familiar, tem de ter a especialidade”.

Nesse sentido, o secretário de Estado sublinhou que alguns incentivos existentes devem ser eliminados: “Por exemplo, não pode ser que um licenciado sem especialidade esteja trabalhando na Atenção Primária recebendo o mesmo salário que um especialista”.

Padilla explicou que o objetivo é que o programa proposto às comunidades autônomas seja concluído nos próximos meses na Comissão de Recursos Humanos.

O FÓRUM EXORTA A UM ACORDO PARA ENCERRAR A GREVE MÉDICA

Por sua vez, o representante dos Médicos Rurais da OMC, Hermenegildo Marcos, fez um apelo, em nome do Fórum, para pôr fim ao conflito entre os sindicatos médicos e o Ministério da Saúde.

“Acredito que o entendimento é fundamental para chegar a um acordo. É urgente desbloquear a situação com um diálogo real para avançar com coragem e visão de futuro. Sempre colocando os valores do paciente no centro”, destacou Marcos.

Para o representante dos Médicos Rurais da OMC, o acordo deve reconhecer a especificidade do exercício da medicina para dignificar a profissão e fortalecer a qualidade da assistência e a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde.

“Avançar é possível, se houver vontade. Este Dia da Atenção Primária é uma oportunidade para construir consensos que respondam ao que a cidadania espera de todos nós”, concluiu.

Em seguida, o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, agradeceu o apelo, mas mostrou-se discreto quanto às negociações, conforme acordado com o Comitê de Greve Médica: “Exerço a discrição que acredito ser certamente o que nos levará a bom termo”.

“Acredito que, em termos gerais, a Atenção Primária é um espaço gerador de consensos, embora se desenvolva num contexto de conflito permanente. Por isso, o apelo é tão pertinente quanto bem recebido”, concluiu Padilla.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado