Publicado 15/09/2026 08:18

A Fórmula 1 em Madri produz um ruído de até 88 dB em parte do circuito, ultrapassando o limite considerado prejudicial pela OMS

03 VERSTAPPEN Max (Holanda), Red Bull Racing Ford RB22, ação durante o Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1 de 2026, 14ª etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2026, de 11 a 13 de setembro de 2026, no Circuito de Madrid, em Madri, Espanha — Foto: Er
Eric Alonso / DPPI / AFP7 / Europa Press

De acordo com um estudo da GAES que destaca a importância das medidas de prevenção para desfrutar de atividades de lazer com segurança

MADRI, 15 set. (EUROPA PRESS) -

O Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1, realizado neste fim de semana em Madri, gerou um ruído de até 88 decibéis (dB) em parte do circuito, conforme revela um estudo da GAES, que registrou essa medição, especificamente, na curva “La Monumental”.

O diretor de Audiologia e Pesquisa da GAES, Francesc Carreño, e a audioprotética Virginia Lázaro apresentaram nesta terça-feira os resultados do estudo, realizado durante a corrida do último domingo.

Conforme explicou Lázaro, uma equipe da GAES deslocou-se com sonômetros a três pontos “chave” próximos ao circuito, nos quais se previa que pudesse haver maior exposição sonora. Esses pontos foram a reta de largada e chegada, localizada no IFEMA, a curva “La Monumental” e a reta da Ribera del Sena.

“Realizamos o processo de fora (...) porque o que queremos saber é como isso poderia prejudicar ou afetar as pessoas que estão nas proximidades do circuito e que não vão à Fórmula 1. Quem vai à Fórmula 1 vai aproveitar esse evento e sabe a que vai estar exposto”, explicou.

Os resultados mostram que o maior ruído ocorreu na ‘La Monumental’, com um pico de 88 dB, comparável, segundo o estudo, à exposição a tráfego muito intenso ou a uma motocicleta a curta distância. Lázaro alertou que a OMS considera que, a partir de 80 decibéis, a exposição pode ser prejudicial à saúde auditiva.

Na reta de largada e chegada, o ruído atingiu 79 dB, semelhante ao de um aspirador potente ou de um restaurante movimentado. Já na reta da Ribera do Sena, o ruído foi de 74 decibéis, o som que pode ser gerado por uma conversa em tom elevado ou, por exemplo, em um escritório ou local movimentado.

Francesc Carreño destacou que o ruído não é tão forte quanto se poderia imaginar, ou quanto o que ocorria anos atrás, pois a própria entidade da Fórmula 1 criou mecanismos para amortecê-lo, desde o projeto dos carros até protocolos sobre as distâncias entre o circuito e as arquibancadas.

O IMPACTO DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO

Virginia Lázaro alertou sobre o impacto que a exposição ao ruído tem na saúde auditiva e ressaltou que o dano é “silencioso” e “acumulativo”. “Quando já percebemos que talvez precisemos aumentar o volume da TV ou que não conseguimos acompanhar as conversas, provavelmente já há um dano ou uma lesão em nosso ouvido”, destacou ela, ressaltando a importância da prevenção.

Conforme explicou, os fatores que devem ser considerados não se limitam apenas ao volume, mas também à intensidade, ao tempo e à distância de exposição ao ruído. “É preciso ter cuidado e prestar atenção aos sinais que indicam o dano auditivo”, comentou.

Entre as medidas de prevenção que devem ser adotadas, a especialista destacou o uso de protetores auditivos caso haja uma exposição prolongada, por exemplo, no trabalho. “Se sabemos que vamos ficar muito tempo em um local com muitos decibéis, também é aconselhável fazer pausas de vez em quando, afastar-se um pouco e dar um descanso aos nossos ouvidos”, acrescentou.

Além disso, ela recomendou controlar o volume de fones de ouvido e aparelhos; não introduzir objetos no ouvido para limpá-lo, como cotonetes; e proteger especialmente as crianças, cujo ouvido é “ainda mais delicado”. Caso sejam percebidos sinais de perda auditiva, ele recomendou procurar um centro especializado para um exame.

CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O CUIDADO AUDITIVO

Carreño enfatizou a importância de seguir as medidas de prevenção, mesmo que não se sinta o dano. Segundo ele, se a exposição a um ruído que pareça seguro for prolongada, isso pode resultar, ao sair do local, em sensação de cansaço auditivo, ouvido entupido ou zumbidos.

Dessa forma, ele concluiu lançando uma mensagem de conscientização sobre os cuidados com a audição. “Hoje em dia, estamos muito preocupados com muitas coisas, muito visíveis, como a estética e a saúde, que normalmente são importantes, mas parece que a audição é invisível (...) Acho que ela merece o mesmo cuidado, a mesma dedicação, a mesma atenção, uma cultura de prevenção”, destacou.

“Quando falamos de saúde auditiva, às vezes parece que estamos falando em impor limites ao lazer. Não, temos que viver em um mundo barulhento”, observou ele, para destacar que as medidas de prevenção ajudam a tornar as experiências de lazer compatíveis com o cuidado auditivo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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