LEÓN 23 jul. (EUROPA PRESS) -
As escavações realizadas pela equipe de pesquisadores do Departamento de História e do Instituto de Estudos Medievais da Universidade de León (ULE) no Castro de los Judíos, em Puente Castro, confirmaram a presença pré-romana no sítio arqueológico.
Mais especificamente, no ano passado foram encontrados materiais e estruturas em negativo que pareciam pertencer a essa época e, agora, por meio das datações por carbono-14 realizadas em restos de fauna, foi confirmada a existência de um assentamento anterior ao judeu neste local. “Pelo menos antes de os judeus se estabelecerem aqui, houve uma ocupação do período pré-romano”, ressaltou a diretora da campanha de escavação arqueológica, Raquel Martínez Peñín.
Nesse sentido, ela esclareceu que, durante a campanha do ano passado, foram encontrados alguns materiais, principalmente cerâmica, da Idade do Ferro, e, abaixo das construções medievais, surgiram camadas que eram “completamente diferentes” daquelas que a equipe de pesquisa estava acostumada a encontrar, entre elas algumas estruturas em negativo — vestígios de atividade humana formados pela remoção ou escavação de material do solo original — e alguns buracos preenchidos com materiais. Além disso, foram encontrados alguns restos de fauna cujas datações por carbono-14 confirmam que pertencem à Idade do Ferro.
Além dessa linha de pesquisa, a equipe de pesquisadores aprofunda-se na fase de ocupação dos judeus e nas diferentes fases construtivas associadas à presença dessa comunidade no Castro, e dá continuidade aos trabalhos de identificação dos diversos períodos de ocupação e também da destruição do bairro judeu.
“As informações que estamos obtendo são muito interessantes”, destacou, explicando que as descobertas revelam a realidade medieval da cidade de León, ao oferecer uma visão detalhada de como era o sistema construtivo da época, como os espaços se articulavam e boa parte de sua cultura material.
Nesse sentido, ele precisou que foram encontrados alguns materiais utilizados para atividades artesanais pelas mulheres, que fornecem informações sobre questões relacionadas ao gênero naquela época.
FORMAÇÃO DE 50 ESTUDANTES
Quanto ao aspecto formativo da iniciativa, este ano, cerca de 50 estudantes da ULE e de universidades como a de Santiago de Compostela, a Complutense de Madri, a Universidade de Alcalá de Henares (Madri), além de alguns alunos estrangeiros em estágio provenientes de países como Portugal, realizam trabalhos de campo e em laboratório.
“Este ano ficamos muito sobrecarregados”, ressaltou ele, indicando que cerca de 20 pessoas de Barcelona, Málaga ou Córdoba ficaram de fora dessa atividade no sítio arqueológico, pois não era possível acolher mais participantes.
A Prefeitura de León patrocina e colabora com o necessário para esse grupo de pesquisa, além de ceder o terreno no Castro de los Judíos para a realização dos trabalhos de pesquisa, enquanto a ULE, além do trabalho de pesquisa e formação, colabora com o alojamento e a alimentação dos estudantes.
“MUITO INTERESSE”
A vereadora de Ação e Promoção Cultural da Prefeitura de León, Elena Aguado, destacou que a Prefeitura tem “muito interesse” neste trabalho que patrocina desde 2020 e parabenizou o grupo da ULE e os estudantes participantes das tarefas arqueológicas e de pesquisa pelo trabalho que realizam.
“É uma parte importante da história de León, uma parte muito desconhecida”, observou ela, acrescentando que não há bibliografia referente ao assentamento judeu e a outras ocupações. “É muito importante ter essas informações, pois são as únicas que teremos sobre esse período da história”, concluiu.
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