VALÊNCIA 22 jun. (EUROPA PRESS) -
O sítio paleontológico de Quibas (Albanilla, Múrcia) representa uma das mais importantes “cápsulas do tempo” da Europa, com fósseis de mais de 80 espécies diferentes. Na última campanha de escavação, a equipe de paleontólogos recuperou cerca de 150 restos fósseis de vertebrados de grande e médio porte, bem como várias centenas de pequenos animais, como lagartos, cobras, sapos, ratos, musaranhos e toupeiras.
Entre as descobertas mais notáveis está um cúbito de lince ibérico, o que reforça o papel de Quibas como um local excepcional para o estudo dos primeiros ancestrais desse felino endêmico. Também se destaca a descoberta de uma mandíbula de bisão e de fósseis completos, como uma carapaça de tartaruga mediterrânea, que representa o exemplar mais antigo conhecido de sua espécie na Península Ibérica.
É o que detalha a Universidade de Valência (UV), que atualmente lidera a equipe de pesquisa deste sítio, tendo Pedro Piñero (Ramón e Cajal) como diretor. Os trabalhos de escavação e pesquisa no sítio arqueológico permitem “abrir uma janela para o passado que revela como era o sudeste ibérico em épocas remotas”.
A equipe liderada pela UV vem trabalhando na região desde 2014. Trata-se de uma antiga caverna repleta de sedimentos ricos em fósseis que datam de um milhão de anos atrás (final do Pleistoceno Inferior). O projeto conta com a codireção de Jordi Agustí, professor pesquisador do Instituto Catalão de Paleontologia.
“A última campanha de escavação foi muito bem-sucedida”, afirma Piñero. “Até agora, só haviam sido encontrados fragmentos isolados de bisão; portanto, esse novo fóssil permitirá avançar no conhecimento sobre a espécie”. Outras descobertas do último ano incluem uma falange distal de tigre-de-dentes-de-sabre, vários restos de uma grande ave de rapina e uma segunda falange de rinoceronte etrusco.
Em suma, esse sítio “oferece uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento paleoambiental e faunístico do momento em que os primeiros humanos chegaram à Europa Ocidental”. Além disso, representa uma contribuição para a compreensão dos eventos climáticos do início das eras glaciais na Península Ibérica, já que registrou até seis mudanças climáticas glaciais e interglaciais, “uma sequência única de alternância entre fases áridas e úmidas na Europa”, destaca o diretor da equipe.
Desde sua descoberta em 1994, o sítio arqueológico de Quibas revelou vestígios fósseis de mais de 80 espécies de vertebrados e invertebrados da parte superior do Pleistoceno Inferior, entre os quais se incluem mamíferos de grande e pequeno porte, aves, répteis, anfíbios e peixes. Seu maior destaque é o lince ibérico, já que os vestígios preservados das populações mais antigas desse carnívoro são muito escassos. No entanto, em Quibas foi recuperada a coleção mais completa até o momento.
UM DOCUMENTÁRIO VIAJA NO TEMPO POR UM MILHÃO DE ANOS COM IA
O interesse por este local impulsionou a recente estreia do documentário “Um safári ao Pleistoceno”, uma produção pioneira na Espanha no âmbito da divulgação paleontológica, dirigida pelo cineasta Alejandro Artés e baseada nos estudos da equipe científica de Piñero.
Um curta-metragem pioneiro que recria essa paisagem há um milhão de anos por meio da inteligência artificial. Essa produção hiper-realista, na qual se unem ciência, tecnologia e história, revive, em 15 minutos, uma viagem inédita ao passado.
É possível assisti-lo gratuitamente e isso contribui para “continuar reconstruindo o complexo quebra-cabeça de fósseis, espécies e enigmas que Quibas guarda, um ambiente comparável a referências como Atapuerca ou Orce”, destacam Jordi Agustí e Pedro Piñero.
O projeto de pesquisa e divulgação do sítio arqueológico é financiado pela Prefeitura de Abanilla, pela Região de Múrcia e pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, por meio do projeto Ramón y Cajal de Pedro Piñero, vinculado à UV.
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