GIRONA 5 maio (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisa internacional liderada pela Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) e pelo Institut Català de Paleoecologia Humana i Evolució Social (Iphes-Cerca) documentou a caverna pré-histórica com intensa ocupação humana situada na maior altitude conhecida até agora nos Pirineus, localizada a 2.235 metros acima do nível do mar.
A pesquisa mostra que o sítio, conhecido como Cova 338 e localizado no Vale de Núria, em Queralbs (Girona), revela que a cavidade foi ocupada repetidamente entre o quinto milênio a.C. e o final do primeiro milênio a.C., fornece evidências sobre a exploração dos recursos de alta montanha e questiona a ideia de que essas zonas fossem utilizadas apenas de forma esporádica ou marginal, informaram a UAB e o Iphes-Cerca em um comunicado.
As datações indicam que essas ocupações ocorreram em diversas fases diferenciadas, separadas por períodos de abandono, fato que aponta para um uso planejado e recorrente do espaço.
O estudo, publicado na revista “Frontiers in Environmental Archaeology”, contou com a participação de pesquisadores da Universitat Rovira i Virgili de Tarragona, da Universidade de Granada, da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona e da Universidade das Ilhas Baleares, entre outras instituições.
As escavações extensivas realizadas entre 2021 e 2023 revelaram “uma sequência arqueológica excepcional, com numerosas estruturas de combustão, restos de fauna, fragmentos cerâmicos e um conjunto notável de minerais verdes, provavelmente malaquita, um mineral rico em cobre”, explicou o professor de Pré-história da UAB e líder do estudo, Carlos Tornero.
Ele afirmou que, pela primeira vez nos Pirineus, foram documentadas “ocupações pré-históricas de alta montanha de intensidade significativa, caracterizadas pela repetição de atividades e pela exploração direta de recursos minerais dentro da cavidade”.
Entre os materiais recuperados, destacam-se dois colares, um elaborado com uma concha marinha e outro com um dente de urso pardo, que evidenciam práticas de ornamentação pessoal.
ALTA MONTANHA
“A Cova 338 nos obriga a repensar o papel da alta montanha nas sociedades pré-históricas dos Pirineus. Por muito tempo, assumiu-se que esses espaços eram zonas marginais. O que documentamos aqui é uma ocupação recorrente, com atividades complexas e uma clara exploração de recursos minerais”, explicou Tornero.
O pesquisador afirmou que o sítio arqueológico demonstra que os Pirineus não eram um território marginal para as comunidades pré-históricas, mas um espaço “plenamente integrado em suas estratégias de mobilidade e exploração do território”.
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