Carlos Castro - Europa Press - Arquivo
SANTIAGO DE COMPOSTELA 20 abr. (EUROPA PRESS) -
O professor Jorge Mira Pérez, da Universidade de Santiago de Compostela (USC), juntamente com José María Martín Olalla, da Universidade de Sevilha, refutou um estudo de 2025 que associava a mudança de horário sazonal a graves riscos para a saúde. Os pesquisadores classificaram os resultados dessa investigação como uma “ilusão matemática” após detectarem erros em sua metodologia.
A revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a mesma que divulgou o artigo original de Lara Weed e Jamie M. Zeitzer (Stanford), publicou agora uma carta assinada pelo físico da USC e pelo da Universidade de Sevilha, na qual se evidencia que as conclusões anteriores carecem de suporte real.
Nesse contexto, a USC explicou em um comunicado à imprensa que o estudo original associava a mudança de horário a doenças agudas, como infartos, e crônicas, como a obesidade. Especificamente, o trabalho liderado pelos professores Mira e Martín Olalla aponta uma “grave falha” metodológica no uso do banco de dados Places do CDC americano.
Segundo explicaram, o modelo original somava os reajustes diários do ritmo circadiano, sem levar em conta se estes eram positivos ou negativos. “É como se, ao dirigir, registrássemos os pequenos reajustes do volante para um lado e para o outro para computá-los todos no mesmo sentido e relatar um valor grande, em vez de compensá-los”, criticou o professor da USC Jorge Mira.
Dessa forma, o estudo original apresentava um acúmulo artificial de 20 horas de desajuste anual, quando, na verdade, a média é de apenas três minutos diários que se compensam entre si, resultando em um acúmulo líquido de zero, mesmo com a mudança de horário.
A pesquisa da USC e da US conclui que não existe nenhuma hipótese prévia ou nexo causal que justifique a análise realizada por Weed e Zeitzer. Por se tratar de um erro que apenas gera “ruído” no modelo, os físicos afirmam que não se pode concluir que eliminar a mudança de horário reduziria a prevalência de doenças ou ataques cardíacos.
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