MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -
Os cientistas apresentaram um modelo que busca decifrar a antiga prática do tricô atribuindo uma linguagem matemática aos pontos direito e esquerdo.
Para construir seu modelo, Lauren Niu, física teórica da Universidade da Pensilvânia, tomou emprestadas técnicas matemáticas de uma fonte inesperada: a relatividade geral, a teoria usada para descrever a deformação do espaço e do tempo. Enquanto a relatividade explica como a gravidade dobra o espaço-tempo, os pesquisadores aplicaram princípios geométricos semelhantes para explicar como as trajetórias em loop do fio criam curvatura nos tecidos de malha.
"Tudo começou com a simples observação de que os tecidos de malha se curvam de maneiras específicas", diz Niu. "Pense em quando você corta as mangas de uma camiseta e elas se curvam; isso geralmente significa que ela foi feita apenas com pontos à direita. Os pontos purl se curvam na outra direção."
No entanto, quando você combina pontos tricô e purl, "é aí que a mágica acontece", diz a coautora Geneviève Dion, do Center for Functional Knitting da Universidade Drexel. "Você obtém essas incríveis estruturas auto dobráveis que podem ser macias e flexíveis, mas também estruturadas e fortes.
Niu explica que a tecelagem, em essência, é um método de transformação de um fio unidimensional em uma folha bidimensional estruturada e flexível, que pode ser dobrada em formas tridimensionais complexas. Os pesquisadores perceberam que essa transformação poderia ser descrita matematicamente usando os mesmos princípios que regem a forma como as superfícies se curvam no espaço.
Em vez de considerar um tecido de malha como uma simples coleção de laços entrelaçados, a equipe o tratou como uma superfície contínua com uma curvatura intrínseca determinada pela disposição dos pontos. Ao aplicar o formalismo usado para descrever como os materiais se dobram e se esticam (conhecido como teoria da elasticidade), eles criaram um modelo energético que simula as forças que atuam nos laços do fio e prevê como uma peça de tecido se deformará no espaço.
"A beleza da abordagem de Lauren é que ela não apenas descreve o que está acontecendo, mas também o prevê", diz o coautor Randall Kamien, da Universidade da Pensilvânia. "Estamos pegando as ferramentas que usamos para estudar tudo, desde a gravidade até as bolhas de sabão, e aplicando-as ao tricô. E, surpreendentemente, isso funciona.
Dion, que se baseia em sua experiência como pesquisadora têxtil e designer de roupas, vê esse trabalho como uma convergência crucial da teoria científica e das aplicações práticas de design.
"No momento, o design têxtil se baseia na experiência, na experimentação e na intuição", diz ela. "Se pudermos aplicar modelos preditivos aos têxteis, abriremos a porta para tecidos com propriedades precisas e projetadas, sejam eles materiais médicos auto dobráveis, estruturas reconfiguráveis para robótica macia ou roupas que se adaptam ao corpo de novas maneiras."
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