Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo
MADRID 22 jan. (EUROPA PRESS) -
A Confederação Espanhola de Famílias de Pessoas Surdas (FIAPAS) alertou nesta quinta-feira para as barreiras que os médicos com surdez continuam encontrando para fazer o exame MIR (médico interno residente) em igualdade de condições com os demais candidatos e pediu que as adaptações de acessibilidade não sejam vistas como uma vantagem ou uma concessão.
Ante a proximidade do exame MIR 2026, que será realizado neste sábado, a FIAPAS coletou o testemunho de dois médicos com surdez, voluntários da organização, para saber se o teste é realmente acessível e equitativo e visibilizar os desafios que ainda precisam ser enfrentados.
Uma delas, médica e candidata na atual convocatória, explicou que, a poucos dias da prova, não sabia ao certo quais as adaptações que lhe seriam aplicadas nem os detalhes organizacionais, uma falta de informação que aumentou o seu stress num momento decisivo para o seu futuro profissional.
Esta candidata é obrigada a realizar o exame no Ministério da Saúde, apesar de residir noutra cidade, devido ao facto de se candidatar pela via da deficiência e solicitar uma extensão do tempo. «Não poderei contar com a minha rede de apoio e isso, mesmo antes do exame mais importante da minha carreira, pesa muito», afirmou para denunciar que esta mudança de local faz com que o exame deixe de ser realizado em condições de igualdade.
Por sua vez, um médico residente com surdez que já passou por este exame indicou que “o mais difícil” é ter que se justificar constantemente por suas necessidades. “Às vezes surge a síndrome do impostor, com pensamentos como ‘eu realmente mereço essa extensão de tempo?’ ou ‘não tenho por que ter mais tempo do que meus colegas, isso é injusto’”, apontou.
O jovem médico explicou que uma de suas maiores preocupações era não saber se compreenderia corretamente as instruções. “Dependia de me colocarem na primeira fila e de o vigilante saber que sou surdo e que preciso que me falem claramente e de frente”, lembrou. ADAPTAÇÕES NO AMBIENTE DE TRABALHO
Ambos os médicos concordaram em apontar uma falta de sensibilização e formação sobre surdez no âmbito da saúde. “Os hospitais nem sempre têm informações suficientes sobre nossas necessidades, quais adaptações precisamos ou como se comunicar conosco. Ainda há um longo caminho a percorrer”, alertou o médico residente. Paralelamente, ele expressou que as informações sobre as adaptações no ambiente de trabalho da área da saúde são escassas e que o medo de ser diferente ou de não estar à altura em um ambiente tão exigente como o da saúde constitui uma barreira na hora de solicitá-las. “Sei que posso ser uma ótima médica se tiver as adaptações necessárias. O difícil é ter que fazer um esforço duplo para chegar ao mesmo lugar que os outros”, afirmou a candidata ao exame deste sábado. A este respeito, a FIAPAS destacou as barreiras estruturais que ainda existem no acesso à especialização médica para pessoas com deficiência auditiva.
No entanto, ambos os médicos incentivaram as pessoas com surdez que desejam estudar Medicina a fazê-lo. “Você é tão capaz quanto qualquer outra pessoa. Há mais barreiras a superar, sim, mas não deve ter vergonha de pedir apoio”, destacaram. A FIAPAS insistiu na necessidade de rever os modelos de aplicação das adaptações, evitando que estas criem novas barreiras. Por sua vez, exigiram que os processos seletivos do sistema de saúde e a posterior formação especializada fossem uma referência em acessibilidade e inclusão, contribuindo para um sistema mais equitativo, diversificado e representativo da sociedade.
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