MADRID 8 jun. (Portaltic/EP) -
No dia 28 de maio, ocorreu em Madri a palestra principal da Celonis, no âmbito do Process Intelligence Day, na qual foi apresentado o Celonis Context Model, que fornece contexto operacional às organizações para que tomem a decisão final sobre a integração de agentes de inteligência artificial (IA) que representem um impacto benéfico para as empresas.
Os agentes de IA se consolidaram como ferramentas que ajudam as empresas a serem mais eficientes, auxiliando a “identificar em que momento eles agregam um valor complementar”, conforme destacou o vice-presidente e gerente regional da Celonis para a Península Ibérica e América Latina, Fernando Ranz, em entrevista concedida à Europa Press.
Sem uma estratégia clara de implementação da IA agênica, a organização pode se ver obrigada a fazer o que Ranz descreveu como “tomar uma decisão baseada em biscoitos da sorte”; ou seja, “você pode distribuir os biscoitos da sorte por todos os departamentos e ver o que acontece. Você não tem contexto suficiente para chegar à decisão adequada", explicou.
O contexto é crucial para que a empresa dote os agentes de uma infraestrutura de conhecimento, que nada mais é do que "os dados de que a empresa dispõe, os dados de origem, além de toda a contextualização do conhecimento do negócio". Essa é a base para que o agente de IA analise todos os componentes e proponha a decisão mais adequada a ser tomada.
O Celonis Context Model fornece a contextualização necessária para que a IA seja implantada em grande escala com um impacto quantificável nas empresas. É aqui que entra em jogo a aquisição da empresa de tecnologia Ikigai como peça-chave do Celonis Context Model, a entrada do professor do MIT Devavrat Shah, ex-diretor científico da Ikigai, como diretor científico de IA da Celonis, e o fato de que o próprio MIT já faz parte do acionariado da empresa.
Ranz enfatizou sua importância ao destacar “que a aquisição da Ikigai e o lançamento do Context Model permitem fazer uma previsão de diferentes cenários futuros”. A própria tecnologia da Celonis será capaz de recomendar e até mesmo tomar decisões, se a empresa lhe conceder autonomia, ou, como afirma Ranz, “que um ser humano intervenha em algum momento para tomar a decisão final”.
O executivo explica que este é um momento crucial para a tomada de decisões nas empresas, uma vez que se delega na IA agênica, embora sempre levando em conta a importância da intervenção de uma pessoa ao indicar que “o ‘human in the loop’ deve ser mantido na medida em que se tenha controle sobre o que os agentes fazem; o mesmo que acontece com as próprias pessoas”.
Surge o conceito da “máquina do futuro”, que permite “retroceder para buscar a causa raiz que provocou a ineficiência na empresa”; uma nova funcionalidade que chega com o AI Enhanced Task Discover, outra das novidades apresentadas pela Celonis, que se encarrega de registrar tudo o que o usuário faz a todo momento no computador.
O AI Enhanced Task Discover permite visualizar todos os pontos de interação e voltar no tempo para identificar a causa raiz que provocou a ineficiência. E o importante, não apenas saber onde, como afirma Ranz, “mas por quê, e voltar no tempo para chegar à causa raiz que a gerou, corrigi-la e, então, automaticamente seguir para o futuro”.
A nova solução da Celonis oferece a opção de criar cenários nos quais a empresa simplesmente decide que não quer alterar nada, e as implicações que essa inação pode ter, assim como deixar-se orientar para saber o que acontece se executar uma ou outra decisão empresarial. Ir para trás ou para frente é como uma viagem ao futuro ou ao passado.
Ranz esclarece que sua tecnologia é capaz de “nos inserir em casos de uso que são críticos para os negócios, o que chamamos de ‘business critical’, para nos aprofundarmos na cadeia de suprimentos, na produção de grandes organizações ou em setores intensivos em dados, como é o caso da administração pública”.
Atualmente, há empresas que veem a IA como um obstáculo simplesmente pela complexidade que sua implementação pode atingir, e para aquelas que ainda demonstram certa relutância em sua integração, Ranz destaca que “nós sempre articulamos todo o impacto e a análise do benefício para a empresa em como o processo catalisa esse sucesso”.
De qualquer forma, parece que está começando a haver uma mudança de paradigma nas organizações, sobretudo por parte dos CEOs, que estão compreendendo o valor complementar que uma empresa como a Celonis pode agregar. Como afirma o executivo, “eles percebem perfeitamente que a Celonis trabalha em estreita colaboração com seus principais parceiros tecnológicos e lhes permite complementar seu portfólio de soluções”.
A importância da mudança na organização torna-se crucial para a integração de uma solução como a que a Celonis oferece com o novo Context Model. “Somos os primeiros a querer entrar em empresas que estejam dispostas à mudança”, afirma Ranz, sustentando que, tecnicamente, não há ninguém no mercado que esteja oferecendo algo semelhante.
Sobre a governança de dados e a soberania digital europeia, que tem sido criticada pelas Big Techs pelos obstáculos que representa para seu desenvolvimento contínuo como gigantes tecnológicas, a Celonis, de origem europeia, confirma que “adora continuar participando das discussões onde se define o futuro da IA para a Europa”.
A chegada do Context Model e o avanço da IA generativa representam um momento de tensão em relação às demissões que estão ocorrendo em todo o mundo, e na Celonis têm certeza de que, com sua tecnologia, a empresa vai “conseguir proteger o talento existente” e “reajustar a estrutura com base na eficiência, e parte das pessoas poderá desempenhar outras funções complementares”, concluiu o executivo.
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