MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -
A presidente da Federação de Distribuidores Farmacêuticos (FEDIFAR), Matilde Sánchez, defendeu nesta terça-feira no Congresso dos Deputados a necessidade de preservar a separação entre prescrição e dispensação no âmbito dos medicamentos veterinários como garantia de “segurança, transparência e independência profissional”.
Durante sua participação na Subcomissão para o estudo da situação do setor veterinário na Espanha, pertencente à Comissão de Saúde, ela lembrou que esse princípio, consagrado na Lei de garantias e uso racional de medicamentos e produtos de saúde e presente nas legislações da maioria dos países vizinhos, é “essencial” para proteger o paciente, neste caso, o animal de companhia.
Nesse sentido, Sánchez destacou que “quem prescreve não deve ter interesses econômicos na dispensação”, um critério plenamente consolidado no âmbito dos medicamentos de uso humano e que, em sua opinião, “é igualmente aplicável ao medicamento veterinário”. Sobre este ponto, ela ressaltou que essa separação também favorece um acesso mais amplo e objetivo ao conjunto das opções terapêuticas comercializadas, evitando condicionantes decorrentes de estoques limitados
Da mesma forma, a presidente da FEDIFAR destacou que a Espanha dispõe de uma infraestrutura “plenamente preparada” para garantir o acesso equitativo aos medicamentos veterinários por meio de uma rede de 22.231 farmácias e de um sistema de distribuição farmacêutica de gama completa altamente eficiente.
“Qualquer cidadão, independentemente de onde more, pode ter acesso a todos os medicamentos nas mesmas condições”, afirmou Sánchez, que destacou que esse modelo garante tanto o acesso geográfico quanto o acesso efetivo a todo o vademécum disponível.
Nesse contexto, ele lembrou que a distribuição farmacêutica opera atualmente com 143 armazéns altamente robotizados, mais de 4.300 rotas diárias e uma média de duas entregas por dia para cada farmácia, o que permite disponibilizar qualquer medicamento em questão de horas em qualquer ponto do território.
“A farmácia oferece proximidade, mas também acesso real a todas as opções terapêuticas comercializadas”, destacou, ao mesmo tempo em que enfatizou que é preciso “garantir que o animal de companhia receba o tratamento de que realmente precisa e não apenas aquele que está disponível naquele momento”.
CAPACIDADE LOGÍSTICA E RESPOSTA AO CRESCIMENTO DA DEMANDA
A presidente da FEDIFAR transmitiu o “firme compromisso” da distribuição farmacêutica com a saúde animal e a plena capacidade de responder ao crescimento da demanda por medicamentos veterinários no canal farmacêutico. Conforme explicou, a logística necessária para gerenciar medicamentos veterinários é a mesma que já existe para os medicamentos de uso humano, e a infraestrutura atual está totalmente preparada para assumir qualquer aumento na demanda.
Nesse contexto, ela lembrou que, embora a demanda por medicamentos veterinários no canal farmacêutico tenha aumentado no último ano, ela continua representando uma parcela reduzida do mercado veterinário, “menos de 10% do total em valores”. No entanto, a distribuição farmacêutica respondeu aumentando em mais de 100% as referências veterinárias disponíveis em seus armazéns.
“A infraestrutura já existe e a capacidade logística também. Não haveria nenhuma dificuldade em gerenciar a totalidade dos medicamentos veterinários comercializados nem novas apresentações adaptadas a animais de companhia que possam ser incorporadas ao mercado”, afirmou.
'ONE HEALTH' E SUSTENTABILIDADE
Por outro lado, ele enquadrou essa questão na abordagem 'One Health', lembrando a interligação entre saúde humana, animal e ambiental e a importância de aplicar aos medicamentos veterinários as mesmas garantias de qualidade, segurança e controle existentes no âmbito humano. “Isso é especialmente importante na luta contra a resistência antimicrobiana”, destacou.
Da mesma forma, valorizou o modelo do SIGRE como exemplo de sistema consolidado e eficiente para a gestão ambiental correta de resíduos de medicamentos, destacando que a integração dos medicamentos veterinários no canal farmacêutico permitiria aproveitar uma infraestrutura já existente e amplamente comprovada também em termos de sustentabilidade.
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