MADRID 20 out. (EUROPA PRESS) -
A Federação Nacional de Lésbicas, Gays, Trans, Bissexuais, Intersexuais e outros (FELGTBI+) denunciou a existência de “barreiras significativas de acesso” aos testes de HIV nos centros de saúde espanhóis.
Por ocasião do Dia Internacional do Teste de HIV, a federação apresentou os resultados de uma pesquisa qualitativa realizada em parceria com a Universidade de Salamanca, que revela que, nas localidades onde não há centros especializados e os testes são realizados pela Atenção Primária, o testagem enfrenta “graves obstáculos”.
Além disso, várias pessoas que participaram do estudo, provenientes de diferentes setores, relatam episódios em que solicitaram testes de estado sorológico que foram recusados pela equipe de saúde. A recusa é justificada por uma suposta falta de necessidade, de risco ou de utilidade de exames cuja realização entra em conflito com as preferências, percepções ou estereótipos da equipe de saúde encarregada de realizá-los.
“O problema é especialmente grave em municípios pequenos, nos quais a equipe da Atenção Primária está em contato próximo com o círculo social de quem solicita o exame. Muitas pessoas que solicitam o teste podem sentir vergonha de compartilhar aspectos de sua vida privada com profissionais que conhecem seu círculo social ou familiar”, afirmou a coordenadora do Grupo de Saúde Integral da Federação Estadual LGTBI+, Irene Aterido.
Para Aterido, o acesso ao teste deveria ser muito mais simples. “Deveria bastar manifestar a vontade de fazer o teste, sem precisar explicar motivos ou justificativas e sem se expor a julgamentos ou respostas estigmatizantes por parte da equipe de saúde, como acontece, em muitos casos, atualmente”, explicou ela.
“Na Espanha, mais da metade dos diagnósticos de HIV ainda são tardios. No entanto, um diagnóstico tardio implica uma redução na qualidade e na expectativa de vida, devido à menor eficácia do tratamento antirretroviral, além de facilitar a transmissão do vírus. Por isso, é imprescindível que, já na atenção primária, se trabalhe nessas oportunidades perdidas em que não se verifica o estado sorológico dos pacientes que mantêm contato com o sistema de saúde”, afirmou Aterido.
FORMAÇÃO DO PESSOAL DE SAÚDE PARA ELIMINAR BARREIRAS
A Federação Estadual LGTBI+ reivindica uma melhoria substancial na informação e na formação do pessoal de saúde, de modo a eliminar as barreiras de acesso aos exames diagnósticos e à medicação preventiva.
“Atualmente, a capacitação é condicionada tanto pela disposição pessoal de cada profissional em abordar a diversidade sexual, de gênero e corporal sem preconceitos, quanto pelas possibilidades reais de acesso à capacitação continuada em um contexto de elevada pressão assistencial”, detalhou Aterido.
Segundo a coordenadora do Grupo de Saúde Integral da Federação Estadual LGTBI+, a melhoria da capacitação tem impacto direto na qualidade do atendimento e é especialmente urgente na Atenção Primária e na medicina de emergência, onde, com maior frequência, surgem situações de desconhecimento ou respostas estigmatizantes.
“Por isso, exigimos uma formação obrigatória e generalizada, bem como a implantação de mecanismos de coordenação entre os diferentes níveis de governo que permitam que o discurso institucional do Ministério se conecte de maneira mais eficaz com a prática clínica cotidiana e com as necessidades reais dos usuários”, concluiu Aterido.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático