MADRID 24 out. (EUROPA PRESS) -
A Federação Espanhola de Câncer de Mama (FECMA) enfatizou nesta sexta-feira a importância de o Ministério da Saúde ter todos os dados relacionados ao rastreamento do câncer, depois que as comunidades autônomas do Partido Popular (PP) se recusaram a fornecê-los para possível uso partidário, no contexto da crise sobre atrasos nas mamografias na Andaluzia.
"Lamentamos que os Programas de Detecção Precoce do Câncer de Mama possam se tornar um instrumento de confronto social ou político, quando o que as mulheres esperam nessa questão é a máxima colaboração institucional", disse a FECMA em um comunicado.
Em seguida, ressaltou que os dados desses programas "não são propriedade de nenhuma administração nem de nenhum dirigente", mas pertencem ao Sistema Nacional de Saúde (SNS) e aos pacientes, de modo que recusar-se a fornecê-los é "instrumentalizá-los" e "criar dúvidas e suspeitas que não são compreensíveis nem aceitáveis".
Esses dados incluem o número de mulheres convocadas para os Programas; o número de mulheres que respondem à convocação e participam; os tempos de resposta desde a convocação até a mamografia; o tempo de comunicação dos resultados às pacientes; a porcentagem de mulheres que necessitam de um exame complementar; o número de tumores que são detectados imediatamente nos Programas de Detecção Precoce; o número de mulheres que sofrem uma recidiva ou metástase; e o número de mulheres que morrem em decorrência dessa patologia.
"Não entendemos por que o Ministério da Saúde não tem os dados desses programas disponíveis hoje e, portanto, seus resultados não podem ser conhecidos com precisão. (...) Somente com todos os dados disponíveis, nosso sistema de saúde terá registros homogêneos e atualizados sobre o câncer de mama na população. Ter esses dados também ajudaria a melhorar os sistemas de convocação das mulheres para os Programas e os mecanismos de notificação dos resultados", acrescentou a federação.
É por isso que uma reunião urgente do Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde (CISNS) é considerada "essencial" para definir precisamente quais dados o Ministério da Saúde deve ter disponíveis, como eles devem ser entregues e em quais períodos de tempo.
Também argumentou que a gestão desses programas deve ser realizada de forma homogênea em todas as comunidades autônomas em termos de idade das mulheres convocadas, métodos de leitura e interpretação das mamografias e avaliação da qualidade e dos resultados.
A FECMA também expressou sua preocupação com o fato de que uma crise desse tipo poderia levar a uma deterioração da confiança nesses programas ou servir como uma "desculpa" para externalizar ou privatizar qualquer fase dos programas usando os diferentes mecanismos legais ou administrativos existentes.
"As mulheres, todas as mulheres, precisam continuar a ter confiança no bom funcionamento dos Programas de Detecção Precoce do Câncer de Mama gerenciados pelo nosso sistema público de saúde", concluiu a organização.
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