Publicado 15/09/2026 08:52

Fechado x aberto: Estados Unidos e China travam sua batalha pela IA, marcada pela geopolítica e pela segurança

Archivo - Arquivo - 24 de maio de 2025: Nesta foto ilustrativa, uma pessoa toca no ícone do aplicativo ChatGPT em um tablet em 24 de maio de 2025, em Nova Délhi, Índia.
David Talukdar / Zuma Press / Europa Press

MADRID 15 set. (Portaltic/EP) -

Após a restrição que os laboratórios de Inteligência Artificial (IA) dos Estados Unidos pretendem impor a sistemas de IA que demonstram ser perigosos quando saem do controle, líderes como o presidente dos Estados Unidos ou diretores executivos de algumas das maiores empresas de tecnologia, como Jensen Huang, da Nvidia, se opõem a essas medidas e evidenciam cada vez mais as posições divergentes entre os Estados Unidos e a China em relação à IA.

Em um discurso com foco na geopolítica, com a China novamente na mira — como aconteceu na época com a Huawei, quando foi proibida nos Estados Unidos —, a realidade da implantação dos modelos de IA se resume a modelos fechados, disponíveis por meio de “chatbots” na web no Ocidente, enquanto a China aposta em plataformas abertas para competir em termos de custo e ecossistema, oferecendo aos usuários a possibilidade de utilizar uma IA local que os torna independentes.

São duas forças com perspectivas muito distintas sobre o espaço que a IA ocupa. De um lado, estão a Anthropic, a OpenAI e o Google, que apostam em modelos de ponta fechados, disponíveis apenas por meio de seus servidores (web e API), com um enfoque agora voltado para o risco que esses sistemas representariam caso se desalinhem, conforme afirma o diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, em sua carta publicada neste fim de semana, à qual a OpenAI respondeu pouco depois com sua recusa em abrir o capital este ano diante dos riscos de segurança que essa tecnologia apresenta.

Por outro lado, há os laboratórios chineses como DeepSeek, Qwen (Alibaba) e Kimi (Moonshot), que apostam nos modelos abertos, que permitem que qualquer usuário com um Mac ou um PC potente execute IA local, e à qual se juntou, em sua opinião, o diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, criticando as “restrições” americanas.

A IA local, embora não alcance o desempenho dos modelos de ponta, baseia-se na privacidade dos dados e em uma experiência produtiva que é suficiente para o usuário comum. Um fato que fez com que, devido ao “boom” dos modelos instalados em computadores, a Apple registrasse uma grande demanda por seus Mac Mini e Mac Studio, segundo o Tom’s Hardware.

Quatro dos cinco principais laboratórios de pesos abertos são chineses (DeepSeek, Qwen, Kimi e GLM), de acordo com o guia técnico da AItraining2U, o que permite constatar o domínio nesse campo; e, entre suas conquistas, está o fato de ter reduzido a diferença em relação aos modelos fechados na área de programação, embora, no raciocínio, os modelos fechados da Anthropic (Fable) e da OpenAI (GPT-6 Astra) ainda mantenham uma vantagem de três a oito pontos nos testes mais exigentes, de acordo com a análise da Digital Applied.

OS MOVIMENTOS DOS ÚLTIMOS MESES

Com este panorama dos sistemas de IA que cada participante disponibiliza para usuários em todo o mundo, fica mais fácil compreender os movimentos de cada um nos últimos meses, em um setor em plena revolução cujos efeitos, para o bem e para o mal, atingem todo o planeta.

Em julho, uma coalizão de mais de 270 empresas (Microsoft, Google, Amazon, Meta, Nvidia, OpenAI e outras) assinou uma carta aberta defendendo que os modelos de pesos abertos são fundamentais para a liderança dos Estados Unidos nesse setor, e que concentrar a IA em poucos fornecedores fechados é um risco em si mesmo.

Além disso, Zuckerberg, em declarações feitas dias depois ao Financial Times, sustenta que uma proibição não seria “uma solução eficaz” para obter vantagem diante dessa tecnologia.

Ele é uma das figuras mais reconhecidas do setor de tecnologia que deixou clara sua posição neste momento de tensão, embora, com o lançamento do Muse Spark em abril, a Meta tenha dado uma guinada em direção à IA proprietária e fechada, após apostar no código aberto com a família Llama e ter alguns de seus componentes incorporados ao modelo de raciocínio DeepSeek R1.

Quem ficou de fora da coalizão foi a Anthropic, por não ter assinado o documento. No entanto, na primeira carta, “Our position on open-weights models”, Amodei teve que esclarecer que nunca pediu que fossem proibidos, embora tenha alertado que, se um governo autoritário — e citou o Partido Comunista Chinês como “a ameaça mais perigosa” — construísse modelos superiores, poderia utilizá-los para obter superioridade militar ou para fins de repressão.

No início do ano, a OpenAI, o Google e a Anthropic uniram forças por meio da iniciativa conjunta Frontier Model Forum para combater as tentativas de destilação de modelos de inteligência artificial por parte de empresas chinesas, diante do surgimento de imitações de seus produtos.

Na World AI Conference de Xangai, realizada em meados de julho, a China anunciou a criação da Organização Mundial de Cooperação em IA (WAICO), com 29 países signatários iniciais, na qual o quadro de discussão é oposto ao dos Estados Unidos, com uma aposta em uma IA “aberta, inclusiva e de benefício universal” e com uma abordagem “centrada nas pessoas”.

A SEGUNDA CARTA DE AMODEI E AS REACÇÕES

Agora, em setembro, a nova carta de Amodei trouxe o conflito de volta à tona, com uma postura apoiada tanto pela OpenAI quanto pelo Google, assim como por Elon Musk, diretor executivo da SpaceXAI, ao solicitar “diminuir o ritmo de aprimoramento das capacidades dos modelos de IA” para implementar as salvaguardas necessárias que evitem que eles se desviem do curso, sempre com o alerta sobre os possíveis estragos econômicos que um enxame de agentes de IA poderia causar, como ocorreu com o “hack” do Hugging Face em julho por um modelo da OpenAI.

Anteriormente, essas empresas se reuniram para estudar a criação de um órgão de autorregulação (do tipo FINRA) encarregado de controlar sistemas de IA que, de acordo com os avanços alcançados nos últimos meses com os modelos da classe Mythos voltados para a segurança cibernética, poderiam ficar fora de controle no que é chamado de “desalinhamento”, ou seja, o comportamento de um modelo diferente do esperado. Além disso, o diretor executivo da OpenAI, Sam Altman, declarou pelo X que “o progresso tem sido rápido e continuará sendo. Mas deveria ser mais lento”.

Essas posições geraram rejeição por parte de um segmento do setor e, segundo o TechCrunch, levaram o diretor executivo da Nvidia, Jensen Huang, a se recusar a frear o desenvolvimento da IA durante uma conversa por telefone que recebeu do presidente dos Estados Unidos, na qual respondeu: “Não vamos deixar isso acontecer”.

Da mesma forma, Trump se mostrou abertamente contrário às medidas. “Estamos superando a China em IA, somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim”, afirmou, rejeitando a proposta de frear o desenvolvimento.

A REACÇÃO DA CHINA

A reação de Pequim ao discurso de Amodei no fim de semana não se fez esperar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, respondeu reiterando a posição apresentada pela China em julho, com uma IA “aberta, inclusiva e ética”, e alertou que “o alarmismo, o confronto e a competição implacável” apenas perturbam a governança global, conforme relata a Bloomberg.

Por fim, o pesquisador do Centro de Estratégia e Segurança Internacional da Universidade de Tsinghua (Pequim), Sun Chenghao, que já havia debatido sobre IA com colegas norte-americanos, contextualiza o confronto iniciado pelos laboratórios de IA dos Estados Unidos: “A fronteira entre ‘segurança da IA’ e ‘competição em IA’ está cada vez mais difusa”, e acrescenta que “se cada questão de segurança acabar sendo interpretada sob o prisma da competição estratégica, será muito difícil manter um diálogo significativo”

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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