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MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -
A Dra. Carolina Malagelada, membro da Fundação Espanhola do Aparelho Digestivo (FEAD) e especialista do Hospital Vall d’Hebron de Barcelona, afirmou que, quando a diarreia persiste por mais de um mês, “é aconselhável consultar” um especialista para identificar a causa, razão pela qual pediu que não se normalize a diarreia crônica.
“Muitos pacientes nos explicam na consulta que há anos notam mudanças nas evacuações”, indicou ela, especificando que “algumas pessoas normalizam os sintomas, especialmente quando estes não afetam gravemente seu dia a dia”. No entanto, essa organização esclareceu que, quando a diarreia não dura mais de quatro semanas, “o mais comum é que se deva a causas agudas, como gastroenterite ou intoxicações alimentares”.
A esse respeito, e por ocasião da comemoração, nesta sexta-feira, 29 de maio, do Dia Mundial da Saúde Digestiva, a FEAD divulgou que “o uso de produtos para controlar a diarreia vendidos sem receita em farmácias pode influenciar no atraso na procura de um especialista”. No entanto, “quando surgem sintomas associados, como dor abdominal, o impacto sobre a qualidade de vida costuma ser maior e é mais frequente que o paciente procure atendimento”, explicou.
Nesse contexto, ele expôs que “alguns sintomas associados também levam os especialistas a suspeitar de uma causa mais grave por trás da diarreia crônica”. “São o que chamamos de sinais de alarme”, resumiu Malagelada, acrescentando que estes “incluem a presença de sangue visível nas fezes, uma diarreia que obriga a acordar à noite para ir ao banheiro, dor abdominal persistente ou cada vez mais intensa, perda de peso ou febre”.
Além disso, destacou “grupos de risco nos quais é especialmente importante procurar atendimento médico”, como “pessoas com mais de 50 anos que até então tinham evacuações normais e pessoas com parentes de primeiro grau com doenças digestivas, como câncer de cólon, doença inflamatória intestinal (DII) ou doença celíaca”.
A MAIORIA DAS CAUSAS NÃO É GRAVE
A maioria das causas da diarreia crônica não é grave, “mas é importante diagnosticá-las para iniciar o mais rápido possível o tratamento mais adequado”, continuou ele, após o que afirmou que “entre as mais frequentes destacam-se a síndrome do intestino irritável (SII), que pode afetar de 5 a 10% da população em geral, e a diarreia funcional”. Trata-se de “distúrbios benignos, mas que podem afetar a qualidade de vida devido aos incômodos que causam”, destacou.
Além disso, ele afirmou que “outra causa comum são os medicamentos que o paciente toma”, já que “a lista de medicamentos comuns que podem causar diarreia é muito extensa”. “Alguns exemplos incluem os anti-inflamatórios, a metformina (usada para tratar o diabetes tipo 2) ou os antibióticos”, destacou.
Outras doenças digestivas também podem se manifestar com diarreia e é importante descartá-las, sendo as mais destacadas “a doença celíaca, a intolerância à lactose e a colite microscópica”, continuou ele, acrescentando que “existem, além disso, doenças menos frequentes, mas potencialmente mais graves”, como “a DII e o câncer de cólon”.
Por fim, a FEAD informou que “para investigar a causa da diarreia crônica, os especialistas podem recorrer a exames de sangue e de fezes, que permitem detectar sinais de inflamação, anemia ou doenças como a doença celíaca”. “Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma colonoscopia, especialmente se houver sangue nas fezes”, observou.
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