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MADRID 2 maio (EUROPA PRESS) -
As sociedades espanholas de Medicina Interna (SEMI) e de Arteriosclerose (SEA) publicaram um documento de consenso no qual defendem uma “abordagem integral” da dieta mediterrânea, em que o modelo da mesma dá importância a fatores não nutricionais, como a forma de cozinhar e a sesta de 30 minutos.
Este documento de revisão das evidências científicas disponíveis sobre a influência desse tipo de dieta na saúde analisou o “importante impacto” de elementos que “vão além dos nutrientes”, conforme indicaram ambas as sociedades científicas, que acrescentaram que esse modelo é “também profundamente cultural”.
Nesse sentido, a SEMI e a SEA afirmaram que, portanto, a dieta mediterrânea “deve ser entendida como um padrão integral de alimentação e estilo de vida, cujos benefícios para a saúde cardiovascular não podem ser explicados apenas pela composição nutricional dos alimentos”.
“Com este consenso, lançamos uma mensagem muito clara à população: não importa apenas o que comemos, mas também como, com quem e quando comemos”, explicou o último signatário, vice-presidente da SEMI e membro do Grupo de Trabalho de Nutrição e Estilo de Vida da SEA, o Dr. Pablo Pérez-Martínez, que acrescentou que esse tipo de dieta “é muito mais do que uma soma de nutrientes, é um modelo de saúde e de estilo de vida”.
AS PRÁTICAS CULINÁRIAS MODULAM A RESPOSTA METABÓLICA
Assim, o consenso alcançado mostra que a escolha e o preparo dos alimentos, priorizando técnicas culinárias mediterrâneas tradicionais e produtos locais e sazonais, influenciam a quantidade, a qualidade e a biodisponibilidade dos nutrientes e compostos bioativos da dieta. Além disso, ele destaca que as práticas culinárias modulam a resposta metabólica e fenômenos fisiopatológicos, como a inflamação e o estresse oxidativo, que afetam diretamente a saúde vascular.
Esses fatores “se traduzem em hábitos concretos com impacto direto na saúde”, destacou, por sua vez, o primeiro signatário deste texto, coordenador do referido Grupo da SEA e membro da SEMI, o Dr. Javier Delgado Lista, que sustentou que “compartilhar as refeições favorece uma maior qualidade alimentar e uma melhor adesão ao padrão mediterrâneo”.
A esse respeito, o relatório apresentado indica que a refeição em companhia, especialmente em contextos de refeições regulares, compartilhadas e sem distrações digitais, melhora o processo biológico da ingestão, favorecendo o tempo de mastigação, os sinais de saciedade e a modulação neuroendócrina do apetite. De fato, o contexto social das refeições está associado a uma maior ativação dos circuitos cerebrais de recompensa e bem-estar, com potencial redução do estresse e da ansiedade.
Além disso, Delgado Lista explicou, em relação à seção sobre sazonalidade, que “o consumo de alimentos frescos e da estação está relacionado a uma maior ingestão de compostos bioativos e antioxidantes benéficos para a saúde vascular”. “O objetivo é duplo”, sendo o primeiro “valorizar esses fatores para promover sua manutenção em nosso ambiente” e o segundo “facilitar sua adaptação a outros contextos geográficos e culturais”, observou.
DORMIR MEIA HORA APÓS O ALMOÇO
Este consenso, que destaca que a proximidade e a sustentabilidade dos alimentos estão associadas a uma maior diversidade alimentar e a uma melhor qualidade global do padrão alimentar mediterrâneo, indica que a sesta de meia hora tem sido associada a benefícios cardiovasculares e metabólicos, provavelmente por meio da modulação do estresse, da função autonômica e da sincronização dos ritmos circadianos.
Além disso, destaca a importância da organização temporal das refeições e da crononutrição, incluindo a concentração do consumo energético nas primeiras horas de vigília. A esse respeito, Pérez-Martínez declarou que “evitar jantares tardios pode melhorar a regulação metabólica, a sensibilidade à insulina e a inflamação”.
Por isso, “retomar horários mais organizados, refeições compartilhadas e um jantar mais leve é uma forma simples e muito eficaz de cuidar da saúde cardiovascular”, argumentou em relação a esses fatores que, em resumo, influenciam a adesão ao padrão mediterrâneo e determinantes biológicos relevantes para a saúde vascular, como a regulação metabólica, a inflamação de baixo grau e a função circadiana.
Todos esses aspectos, conforme se depreende deste documento, somam-se a outros componentes já estabelecidos do modelo mediterrâneo, como a atividade física regular, uma hidratação adequada e uma vida social ativa. O conjunto desses elementos é, segundo os autores deste trabalho, um modelo de saúde e estilo de vida.
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