MADRID 24 nov. (EUROPA PRESS) -
Fatores genéticos, hormonais e alguns fatores ambientais, juntamente com certos desequilíbrios no sistema imunológico, podem ser "fundamentais" para o risco de desenvolver lúpus eritematoso sistêmico, portanto, compreendê-los é "crucial" tanto para o tratamento quanto para a prevenção da doença.
"Foi demonstrado que determinados fatores ambientais, como a exposição à luz solar, infecções virais e alguns medicamentos, podem desencadear ou exacerbar a doença em indivíduos suscetíveis. Compreender esses fatores é crucial para o tratamento e a prevenção do lúpus eritematoso sistêmico", disse um dos coordenadores do XVII Curso SER sobre Lúpus Eritematoso Sistêmico e Síndrome Antifosfolípide da Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER), Dr. Tarek Salman.
Durante a reunião, realizada em colaboração com a GSK, o especialista do Serviço de Reumatologia do Hospital del Mar (Barcelona) explicou que o lúpus está associado a um conjunto de polimorfismos genéticos que afetam a regulação da resposta imunológica, incluindo genes relacionados ao sistema de complemento e receptores de imunoglobulina.
"Os fatores hormonais, especialmente o estrogênio, desempenham um papel crucial nas causas do lúpus eritematoso sistêmico, pois podem aumentar a atividade das células B e a produção de autoanticorpos, o que explica em parte a maior prevalência da doença nas mulheres", acrescentou.
O Dr. Salman enfatizou que o lúpus é uma doença "de mil faces" e que não há dois casos iguais, sendo que alguns pacientes começam com manifestações orgânicas nos rins, no coração ou no sistema nervoso central.
Além disso, sua heterogeneidade e complexidade tornam o tratamento ainda mais difícil, exigindo uma abordagem multidisciplinar e um trabalho "coordenado" para oferecer um atendimento abrangente.
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Outra coordenadora do curso, a Dra. Clara Moriano, disse que o diagnóstico precoce é "fundamental" e a "única maneira" de implementar estratégias terapêuticas precoces e globais para minimizar as complicações da própria doença e dos medicamentos utilizados, bem como para prevenir comorbidades.
Os dois especialistas enfatizaram que a melhoria do prognóstico dos pacientes requer treinamento "exaustivo" em mecanismos imunológicos e tratamentos seguros e eficazes, com base em ensaios mais bem elaborados e ferramentas de pesquisa clínica, além de um melhor gerenciamento das complicações.
Moriano, reumatologista do Complejo Asistencial Universitario de León, ressaltou que algumas manifestações do lúpus podem ser melhoradas com a adoção de hábitos cotidianos.
"A fotoproteção, o abandono do tabagismo, a atividade física regular e o controle da pressão arterial e do colesterol ajudam a reduzir os surtos, protegem a pele e reduzem o risco cardiovascular, uma das complicações mais importantes a longo prazo. Também é essencial manter as vacinas em dia e seguir o tratamento corretamente, especialmente os medicamentos que evitam recaídas", explicou.
Por outro lado, o reumatologista explicou que foram desenvolvidos critérios de classificação novos e atualizados para ambas as patologias e que houve um progresso "significativo" na terapêutica.
As pesquisas estão se direcionando cada vez mais para uma medicina "mais personalizada", na qual os tratamentos são adaptados às características de cada paciente e os surtos ou complicações podem ser mais bem previstos.
"Graças aos avanços científicos e ao monitoramento mais individualizado, as pessoas com lúpus podem esperar uma vida longa e plena. A pesquisa continua e, com ela, as opções de tratamento e as esperanças dos pacientes aumentam", disse o Dr. Moriano.
Nuria Carballeda, membro do Conselho de Administração da Federação Espanhola de Lúpus (FELUPUS), disse que o lúpus não produz sintomas visíveis se não houver envolvimento da pele na maioria dos casos, e que a falta de conhecimento sobre ele significa que muitas pessoas não sabem que ele também se manifesta por meio de um envolvimento interno amplo e diversificado, fazendo com que as pessoas com lúpus se sintam, em muitos casos, "incompreendidas, negligenciadas, ignoradas e julgadas".
É por isso que a FELUPUS, juntamente com a SER e a Sociedad Castellano Leonesa de Reumatología (SOCALRE), criou a campanha "Coloque-se na minha pele: o que você não vê também importa", que consistiu em um evento no qual pessoas alheias à doença tentaram experimentar simbolicamente alguns de seus sintomas mais limitantes e muitas vezes invisíveis, como fadiga, dor nas articulações e confusão cognitiva.
"O julgamento pelo que não é visto é uma das maiores dores que os pacientes carregam consigo. É por isso que, graças a iniciativas como essa campanha 'Coloque-se na minha pele', que busca visibilidade e empatia, estamos trabalhando para conseguir a identificação, bem como um avanço no conhecimento", acrescentou Carballeda.
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