Alberto Ortega - Europa Press
MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
O diretor geral da Farmaindustria, Juan Yermo, alertou sobre a perda de competitividade que a Europa está experimentando na inovação farmacológica em relação à China e aos Estados Unidos, que pode se intensificar nos próximos 10 anos se não forem tomadas medidas, e onde o "principal perdedor" será o paciente, que se tornará dependente da pesquisa realizada em outras regiões, "sob suas condições e preços".
De acordo com Yermo, nesta segunda-feira, na abertura da XII Conferência Somos Pacientes, realizada sob o lema 'Medicamentos que melhoram vidas: a inovação que está por vir', o momento atual é de "alta tensão" e "agitação internacional", mas também de "oportunidade de correção", por meio de regulamentação europeia e nacional, para incentivar a pesquisa e a inovação.
Sobre esse ponto, ele fez alusão à legislação na qual a União Europeia (UE) está trabalhando, como os regulamentos de biotecnologia ou a estratégia de ciências da vida que está sendo delineada. No contexto espanhol, ele destacou a reforma da Lei de Medicamentos, que está em andamento, e a Estratégia da Indústria Farmacêutica, aprovada pelo governo em dezembro do ano passado.
Ele também enfatizou que estamos vivendo uma "verdadeira revolução" na biomedicina, na tecnologia, no sequenciamento genético, na aplicação da inteligência artificial (IA) e em tudo relacionado à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, o que contribuirá para melhorar a forma como os pacientes são atendidos e a vida e o bem-estar de todas as pessoas.
Para que a Espanha aproveite ao máximo essa revolução, algo que "pode e deve" fazer, Yermo destacou que são necessários compromisso, confiança e colaboração entre os setores público e privado. Sobre este último, ele enfatizou que o "trabalho conjunto" entre pacientes, profissionais de saúde, indústria, instituições e administrações públicas servirá como um "guia" para alcançar um sistema de saúde que seja "mais eficiente, mais humano, mais equitativo e mais bem preparado para os desafios do futuro".
"Precisamos fortalecer a liderança espanhola em ensaios clínicos, como outros países, como a Alemanha, estão fazendo por meio de incentivos. Precisamos garantir, como eu disse, o acesso antecipado, que é outra questão pendente na Espanha. E temos que preservar e promover esse tesouro que temos na Espanha, que é um tecido industrial muito poderoso, que nos torna o terceiro país da Europa em termos de fábricas de produção de medicamentos", insistiu, enfatizando o compromisso da Farmaindustria com esses aspectos.
NOVAS TERAPIAS NO HORIZONTE
Em uma primeira mesa redonda, três representantes dos setores regulatório, médico e de pacientes apresentaram suas perspectivas sobre as inovações que chegarão nos próximos anos e o papel que os profissionais de saúde e as organizações de pacientes devem desempenhar na avaliação desses novos desenvolvimentos.
A representante da Divisão de Farmacologia e Avaliação Clínica da Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) e membro do Grupo de Trabalho de Aconselhamento Científico (SAWP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Rosalía Ruano, enfatizou que a "grande inovação" vem das terapias avançadas, como a terapia gênica, a terapia com células somáticas e a engenharia de tecidos.
O especialista em medicina interna Javier García Alegría, ex-presidente da Federação das Associações Médicas Científicas da Espanha (FACME), expressou o "grande interesse" e a "esperança" com que os profissionais de saúde estão vivenciando esse momento de "revolução" em termos de inovação diagnóstica e terapêutica.
Do ponto de vista deles, as inovações nesse campo podem beneficiar, sobretudo, patologias que não têm tratamento e para as quais os tratamentos são ineficazes, como a maioria das doenças genéticas monogênicas, doenças neurodegenerativas, doenças imunológicas, câncer e outras prevalentes em países menos favorecidos, como malária, doença de Chagas ou tuberculose multirresistente, bem como as bactérias multirresistentes que os países ocidentais estão enfrentando.
García também pediu a participação dos médicos no processo de desenvolvimento de medicamentos, desde a identificação de lacunas de conhecimento, áreas terapêuticas e, portanto, perfis de pacientes, até a avaliação subsequente, por meio de monitoramento e estudos da vida real.
Por sua vez, o membro do Conselho de Administração da Plataforma de Organizações de Pacientes (POP) e presidente da Federação Espanhola de Fibrose Cística, Juan Da Silva, enfatizou que os pacientes estão vivendo esse momento com "muito otimismo", pois todos os dias recebem novas notícias sobre um tratamento.
Sobre esse ponto, ele afirmou que as organizações de pacientes devem ter uma presença maior e uma participação ativa nos processos de avaliação e de tomada de decisão em relação aos novos desenvolvimentos e receber feedback. "Participamos de muitas das fases e, muitas vezes, perdemos o feedback subsequente para saber se o trabalho e as contribuições que estamos fazendo há meses ou até mesmo anos foram úteis", explicou.
DESAFIOS NA PESQUISA CLÍNICA
Depois disso, uma segunda mesa redonda discutiu como os estudos clínicos evoluíram nos últimos anos e o que o futuro nos reserva, analisando os desafios que precisam ser enfrentados.
O chefe da Unidade Central de Pesquisa Clínica e Ensaios Clínicos (UCICEC) do Hospital La Paz, Alberto Borobia, explicou que a pandemia levou à evolução da pesquisa clínica com a introdução de elementos que facilitam a participação de pacientes em ensaios, como monitoramento remoto, telemedicina e o uso de dados em tempo real.
Mesmo assim, há desafios que precisam de atenção, como a diferença entre as comunidades autônomas na participação em estudos. A Diretora de Pesquisa Clínica e Translacional da Farmaindustria, Amelia Martín Uranga, explicou que na Espanha há uma alta concentração de pesquisa clínica em Madri e Barcelona, o que deve ser revertido para garantir a equidade.
Nesse sentido, ela indicou que já existem iniciativas em andamento, como a convocação de unidades de ensaios clínicos, que está possibilitando a criação de 12 novas unidades em regiões onde a pesquisa clínica não é realizada normalmente, além de melhorar e aumentar as capacidades de outras 15 unidades de ensaios clínicos.
Por fim, os palestrantes da mesa-redonda enfatizaram a necessidade de promover mudanças no projeto dos estudos clínicos para garantir que os pacientes participem dos estudos e não desistam. Sobre esse ponto, a presidente da Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG), Pilar Rodríguez Ledo, referiu-se ao papel "fundamental" das associações de pacientes.
"O papel das associações de pacientes é muito importante a partir da iniciativa institucional em si, como uma associação, e muito importante para conceituar estudos dentro do sistema de saúde, mas também em termos de disseminação, gerando confiança, co-criação, co-design, todos esses aspectos que, no final, devem tentar padronizar estudos e pesquisas", disse ela.
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