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MADRID 19 maio (EUROPA PRESS) -
Alberto M. Borobia Pérez, especialista do Serviço de Farmacologia Clínica do Hospital Universitário La Paz de Madri-IdiPAZ, destacou nesta segunda-feira a falta de representatividade em estudos clínicos entre as populações que recebem tratamento, bem como a falta de equidade no acesso a terapias inovadoras em pesquisa.
Borobia, que também é membro da Sociedade Espanhola de Farmacologia Clínica (SEFC), deu como exemplo os estudos que desenvolvem medicamentos para insuficiência cardíaca, que geralmente incluem pessoas com idade entre 63 e 67 anos e, "principalmente", homens.
"O perfil da população na Espanha com insuficiência cardíaca que recebe esse tipo de tratamento tem uma idade média de mais de 75 anos, com predominância de mulheres. Na análise de subgrupo de muitos desses desenvolvimentos, não é incomum descobrir que o ensaio clínico não consegue demonstrar eficácia nessa população", acrescentou.
Ele também lamentou que muitos dados, como nível socioeconômico, país de origem, população rural ou urbana ou nível de escolaridade, não sejam coletados nesses estudos e enfatizou a importância de identificar "adequadamente" quais populações são geralmente sub-representadas e mal atendidas na Espanha.
Tudo isso significa que existem "lacunas" no conhecimento que acabam tendo impacto na qualidade do tratamento, para as quais também contribuem as barreiras "sistêmicas e estruturais" no acesso a serviços de saúde especializados, especialmente no caso da população rural, embora também possam ser afetadas as pessoas com deficiência ou com baixo nível de escolaridade, que podem ter um "conhecimento mais limitado" de seus direitos e opções.
O médico, que também atua como coordenador da Plataforma de Apoio à Pesquisa Clínica (SCReN) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), disse que essa situação deve ser abordada por meio do contato com todos os agentes envolvidos na pesquisa clínica.
"A ideia é disseminar as iniciativas atuais em andamento sob diferentes perspectivas: a visão dos pesquisadores, da indústria farmacêutica, dos órgãos reguladores, dos comitês de ética e dos pacientes", acrescentou, após o que deu como exemplo o Projeto READI (1 e 2), uma iniciativa europeia de parceria público-privada que visa mudar a forma como os ensaios clínicos são conduzidos na Europa, desde a fase de concepção até o seu desenvolvimento, com medidas para melhorar a inclusão de populações sub-representadas e mal atendidas.
VANTAGENS E DESVANTAGENS DESSAS FERRAMENTAS
Ele disse ainda que as ferramentas de descentralização de estudos clínicos podem ser "muito úteis" para facilitar a inclusão de comunidades e populações com dificuldades para participar de estudos.
"Essas ferramentas podem possibilitar novos projetos com monitoramento contínuo do paciente sem que ele precise se deslocar até o centro. Essa redução no número de visitas facilita a participação de pacientes que, devido à sua situação, não podem acessar facilmente os locais dos estudos", disse ele.
No entanto, ele reconheceu que existem barreiras, como a dificuldade de incorporação, especialmente em estudos clínicos regulatórios geralmente promovidos pela indústria farmacêutica, e que é necessário garantir que ferramentas como visitas remotas ou telemedicina sejam padronizadas e validadas, e que garantam a proteção dos participantes em sua totalidade.
Outras limitações estão relacionadas ao treinamento do paciente e à "falta de intuição" de alguns mecanismos, o que pode levar ao risco de perda de contato com o médico. Por isso, ele defendeu o alinhamento dessas ferramentas com o acompanhamento, por meio de mecanismos e sistemas de acessibilidade de registros e resultados, sem violar a privacidade do paciente.
O PAPEL DA IA E DA ANÁLISE DE DADOS
O especialista também abordou o papel da Inteligência Artificial (IA) e da análise de dados na melhoria da inclusão e da equidade nos estudos clínicos.
"A IA pode ser muito útil para estratificar a amostra de pacientes de acordo com as variáveis consideradas no final de um estudo clínico. Ela pode ser usada tanto a montante quanto a jusante do estudo, seja para selecionar perfis de pacientes representativos ou para analisar a composição da amostra final de acordo com várias características", disse ele.
Além disso, ele explicou que as ferramentas digitais com IA incorporada podem ser usadas para melhorar e facilitar o acesso à informação para a população, tornando-a "mais acessível", como poderia ser o caso de um aplicativo que ajusta as informações de um estudo clínico para uma linguagem adaptada à idade, educação, área e país.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático