MADRID 21 abr. (EUROPA PRESS) -
Os astrônomos resolveram um antigo mistério cósmico ao descobrirem evidências diretas de um objeto maciço e há muito perdido que colidiu com o aglomerado de Perseus.
Usando dados de alta resolução do Telescópio Subaru, os pesquisadores conseguiram rastrear o remanescente dessa antiga fusão por meio da distribuição de matéria escura.
Os aglomerados de galáxias, compostos de milhares de galáxias unidas pela gravidade, estão entre as estruturas mais maciças do universo. Eles crescem por meio de fusões energéticas, alguns dos eventos mais poderosos desde o Big Bang.
Localizado a cerca de 240 milhões de anos-luz da Terra, o aglomerado de Perseus tem uma massa equivalente a 600 trilhões de sóis (chamados de massas solares). Durante décadas, os astrônomos acreditaram que ele havia se estabelecido em um estado estável pós-fusão. Sua aparente falta de sinais claros de fusão lhe rendeu a reputação de ser o "exemplo clássico" de um aglomerado relaxado.
No entanto, os avanços nas técnicas de observação permitiram que os pesquisadores se aprofundassem em sua estrutura, descobrindo evidências sutis, mas convincentes, de rupturas passadas. Isso levanta um mistério fundamental: se há evidências de uma colisão, onde está o objeto que colidiu com ele?
LENTES GRAVITACIONAIS
Para resolver o mistério, a equipe analisou dados de arquivo da Hyper Suprime-Cam do Telescópio Subaru. O efeito de lente gravitacional - um fenômeno no qual objetos maciços desviam a luz de galáxias de fundo - serviu como uma ferramenta para mapear a matéria escura invisível.
Usando essa técnica, os pesquisadores identificaram uma massa maciça de matéria escura, com uma massa de cerca de 200 trilhões de massas solares, localizada a cerca de 1,4 milhão de anos-luz a oeste do núcleo do aglomerado. Notavelmente, essa estrutura está conectada ao núcleo do aglomerado Perseus por uma "ponte de matéria escura" fraca, mas estatisticamente significativa, fornecendo evidência direta de interação gravitacional passada entre eles.
A PEÇA QUE FALTAVA
As simulações numéricas realizadas pela equipe sugerem que essa subestrutura de matéria escura colidiu com o aglomerado de Perseu há cerca de cinco bilhões de anos. Os remanescentes dessa colisão ainda compõem a estrutura atual do aglomerado.
"Essa é a peça que faltava e que estávamos procurando", diz o Dr. James Jee, autor correspondente do estudo publicado na Nature Astronomy. "Todas as formas estranhas e o gás em redemoinho observados no aglomerado de Perseus agora fazem sentido no contexto de uma grande fusão.
"Foi preciso ter coragem para desafiar o consenso geral, mas os resultados da simulação de nossos colaboradores e as observações recentes dos telescópios espaciais Euclid e XRISM apoiam fortemente nossas descobertas", continua o Dr. HyeongHan Kim, primeiro autor do estudo.
"Essa descoberta foi possível graças à combinação de dados de imagens profundas do Telescópio Subaru com as técnicas avançadas de lente gravitacional que desenvolvemos, demonstrando o poder da lente para revelar a dinâmica oculta das estruturas mais maciças do universo", conclui o Dr. Jee.
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