Publicado 06/02/2026 08:51

A falta de sono ou o sono irregular estão por trás de até 20% das primeiras crises epilépticas, de acordo com a SES.

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TOMMASO79/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 6 fev. (EUROPA PRESS) - A Sociedade Espanhola do Sono (SES) destacou a relação entre epilepsia e sono, e alertou que a privação ou irregularidade do sono estão por trás de até 20% das primeiras crises epilépticas.

No âmbito do Dia Mundial da Epilepsia, comemorado em 9 de fevereiro, a Sociedade lembrou que, de acordo com as evidências científicas atuais, a privação aguda ou crônica do sono e as alterações do ritmo circadiano são, juntamente com o estresse e o ciclo menstrual, um dos três principais fatores que podem provocar ou precipitar crises em pessoas com epilepsia.

“É algo que vemos com muita frequência nas urgências em pacientes com uma primeira crise epiléptica, tanto adultos como crianças”, afirma o Dr. Gerard Mayà, neurologista do Hospital Clínic de Barcelona e coordenador do grupo de trabalho de Distúrbios do Movimento e da Conduta durante o Sono da Sociedade Espanhola do Sono (SES).

Segundo explica o especialista, o mecanismo pelo qual essa relação ocorre é conhecido: a falta de sono provoca um aumento da excitabilidade cortical e, por sua vez, uma diminuição da inibição tônica-gabaérgica, o que leva o cérebro a um estado de hiperexcitabilidade que aumenta o risco de crises epilépticas serem desencadeadas mais facilmente.

A relação entre epilepsia e sono, no entanto, como acrescenta Mayà, não termina aí. As crises epilépticas noturnas, que geralmente ocorrem durante a fase NREM, podem passar despercebidas e, no entanto, fragmentar o sono e torná-lo não reparador, com a consequente sonolência diurna. Além disso, alguns dos medicamentos habitualmente prescritos para o controle da epilepsia podem aumentar o sono NREM leve e reduzir o sono REM, “gerando um sono menos fisiológico e natural”. Por fim, de acordo com os estudos, os pacientes com epilepsia têm uma prevalência mais alta do que a população em geral de sonolência, insônia, apneia obstrutiva do sono e outros distúrbios do sono. “Estima-se que cerca de metade dos pacientes com epilepsia referem insônia, que mais ou menos um terço apresenta movimentos periódicos das pernas durante o sono e que entre um terço e metade podem ter apneia obstrutiva do sono”, enumera o porta-voz da SES. Nesse sentido, o sono aparece como uma ferramenta fundamental na abordagem e no controle da epilepsia. “Em qualquer doença, mas especialmente nesta, o estilo de vida é a base do tratamento, muito antes de se falar em medicamentos, comprimidos ou outras intervenções invasivas”, lembra o neurologista, que destaca a importância de uma boa higiene do sono. Ou seja, dormir horas suficientes em um horário regular: “É fundamental. O cérebro precisa descansar bem para não ficar nesse estado de hiperexcitabilidade que pode levar a uma crise”.

Na mesma linha, segundo Mayà, é importante o tratamento correto de distúrbios como a apneia obstrutiva do sono. “Este caso é muito claro, pois a apneia fragmenta o sono e os pacientes não dormem as horas adequadas nem com a eficácia necessária. Tratar as apneias com um CPAP e conseguir um sono profundo pode implicar um melhor controle da epilepsia”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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