Publicado 10/07/2025 12:47

A falta de diagnóstico e de acomodações desencadeia vícios em muitos adolescentes com TDAH ou altas habilidades

Archivo - Arquivo - A saúde do cérebro está enraizada no humor
BYMURATDENIZ/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 10 jul. (EUROPA PRESS) -

A falta de diagnóstico e de adaptações adequadas para crianças com distúrbios do neurodesenvolvimento, dificuldades de aprendizagem ou altas habilidades tem repercussões em seu estado emocional e pode levar à ansiedade e à depressão que, quando a adolescência chega, elas podem tentar aliviar com o consumo de substâncias como álcool, maconha ou drogas estimulantes.

Foi o que afirmou Miquel Casas, Professor Honorário de Psiquiatria e Diretor do Programa SJD MIND Schools do Hospital Sant Joan de Déu de Barcelona, que assumiu o papel de porta-voz da Sociedade Espanhola de Patologia Dual (SEPD) no âmbito do Dia Internacional do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que está sendo comemorado neste domingo.

De acordo com estudos epidemiológicos internacionais, entre sete e 10% da população tem altas habilidades, mas em países como a Espanha apenas 0,5% dos estudantes são reconhecidos como tal. O mesmo acontece com os transtornos do neurodesenvolvimento, como o TDAH, ou os transtornos de aprendizagem, que são subdiagnosticados apesar de afetarem cerca de 20% das crianças.

Casas explicou que a falta de diagnóstico e tratamento para essas crianças tem sérias consequências, pois desde cedo elas recebem a mensagem de que "são preguiçosas" ou que "não estudam porque não querem", algo que tem impacto em seu bem-estar, gerando desconforto emocional a partir dos 10-12 anos, o que leva à ansiedade e à depressão.

De acordo com o médico, quando chega a adolescência, muitos veem o álcool e a maconha como uma rota de fuga e acabam desenvolvendo a patologia dupla, ou seja, sofrem simultaneamente de um transtorno por uso de substâncias e outro transtorno mental, relacionado à ansiedade ou depressão anterior.

"Para eles, essas substâncias se tornam drogas. São pessoas que vivem a vida como maus-tratos e, quando entram em contato com a maconha, que é um antidepressivo, e com o álcool, que é um ansiolítico, ficam viciadas nelas. E quando ficam mais velhas, especialmente adolescentes com TDAH não diagnosticado, elas recorrem a drogas estimulantes, mas não porque são viciosas, mas como uma forma de automedicação", explicou Casas.

Para o porta-voz da Sociedade Espanhola de Patologia Dual (SEPD), há outras consequências do subdiagnóstico e do subtratamento, como fracasso acadêmico, gravidez indesejada, acidentes e até mesmo delinquência. De fato, de acordo com evidências internacionais, entre 30 e 35% das pessoas presas têm um desses transtornos e não teriam sido presas se tivessem sido diagnosticadas e tratadas a tempo.

"Algumas pessoas com esse perfil são muito bem-sucedidas e são grandes empreendedores, como Bill Gates ou Elon Musk, mas esse não é o caso da maioria que, embora seja muito inteligente, fracassa nos estudos e na vida interpessoal e social e constantemente se envolve em situações complicadas", disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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