Publicado 07/04/2026 06:44

A exposição ao HIV no útero deixa uma marca imunológica duradoura, mesmo em crianças não infectadas, segundo um estudo

Isso poderia influenciar sua resposta às vacinas, o risco de infecções e o desenvolvimento a longo prazo

Archivo - Arquivo - Ecografia de uma mulher grávida.
ALEXRATHS/ISTOCK - Arquivo

MADRID, 7 abr. (EUROPA PRESS) -

Um novo estudo publicado no 'Journal of Infection and Public Health' revelou que a exposição ao HIV no útero deixa uma marca imunológica duradoura até a adolescência, mesmo que as crianças não tenham o vírus.

As equipes de pesquisa afirmam que essa descoberta é crucial: “Embora essas crianças não tenham HIV, seu sistema imunológico não funciona exatamente da mesma forma, e observou-se que essas diferenças não desaparecem com a idade, mas persistem até a adolescência”.

O trabalho foi liderado por equipes do CIBER de Doenças Infecciosas (CIBERINFEC) e de Epidemiologia e Saúde Pública (CIBERESP) no Hospital Universitário Ramón y Cajal / Instituto Ramón y Cajal de Pesquisa em Saúde (IRYCIS) e no Hospital Gregorio Marañón, em Madri, em colaboração com o Hospital Infantil de México Federico Gómez e a Universidade Nacional Autônoma do México.

O estudo analisou um grupo de crianças de até 13 anos utilizando um conjunto de 64 marcadores que fornecem informações sobre o estado do sistema imunológico, para compreender como a exposição ao HIV afeta o sistema de defesa e a inflamação. Os resultados mostraram que as crianças expostas ao HIV, mas não infectadas, apresentam alterações significativas em moléculas relacionadas à inflamação, à ativação das defesas e à saúde dos vasos sanguíneos. Os níveis de 55 dos marcadores imunológicos proteicos foram medidos no plasma e a expressão relativa do mRNA de 9 deles em amostras de sangue seco da mesma coleta.

“Se imaginarmos o sistema imunológico como se fosse um exército, nas crianças expostas ao HIV, esse exército, embora não esteja em guerra ativa contra o vírus, parece estar em estado de alerta ou vigilância constante. Isso pode parecer inofensivo, mas, a longo prazo, essa vigilância crônica pode prejudicar sua saúde”, explicou África Holguín, pesquisadora do CIBERESP que liderou o estudo na Espanha.

A equipe sustenta que um sistema imunológico que funciona de maneira diferente pode ter consequências tangíveis, tais como maior risco de doenças, resposta diferente às vacinas e desenvolvimento a longo prazo. “Estudos anteriores já sugeriam que crianças expostas ao HIV, mas não infectadas, poderiam ter maior propensão a sofrer infecções comuns, problemas de crescimento e talvez até mesmo doenças não infecciosas, como as cardiovasculares, no futuro. Este estudo fornece a base biológica para explicar por que isso poderia ocorrer”, defende Holguín.

A pesquisadora acrescenta que “um sistema imunológico alterado poderia responder de forma diferente às vacinas, o que ressalta a necessidade de acompanhamento e, talvez, de estratégias de vacinação adaptadas para essas crianças”. Por fim, ela sugere que “essas alterações imunológicas poderiam influenciar seu desenvolvimento geral, uma vez que os marcadores relacionados ao crescimento e à reparação de tecidos também apresentaram diferenças”.

UMA NOVA JANELA PARA A PESQUISA E O CUIDADO

Os autores destacam que a pesquisa empregou uma técnica inovadora: a análise de amostras de sangue seco, o que facilita sua coleta e armazenamento. Isso permitiu estudar a fundo as proteínas no sangue e a “expressão genética” de algumas moléculas-chave na resposta imunológica, revelando como o próprio corpo está “programado” em nível molecular.

“Nossa análise revelou que os marcadores de coagulação e inflamação vascular e os marcadores mieloides foram os mais significativamente alterados”, destacou José Avendaño-Ortiz, chefe de grupo do CIBERINFEC e primeiro autor do estudo.

O pesquisador destaca que “isso reforça a hipótese de que a principal marca a longo prazo da exposição perinatal ao HIV se concentra na disfunção endotelial e na ativação persistente do sistema imunológico inato, mais do que em defeitos gerais do sistema imunológico adaptativo”.

Por sua vez, María Luisa Navarro afirma que “é um passo gigantesco para compreender as consequências a longo prazo da exposição ao HIV em crianças”. A pesquisadora, coautora do estudo, chefe de grupo do CIBERINFEC no Hospital Gregorio Marañón e responsável pela Rede Plantaids, da qual este estudo faz parte, defende que “é um dos poucos estudos que se concentra em crianças mais velhas, demonstrando que essas marcas imunológicas persistem e não são exclusivas dos bebês”.

“Graças a esta pesquisa, podemos identificar melhor as crianças que precisam de um acompanhamento mais próximo e, no futuro, talvez desenvolver intervenções específicas para proteger sua saúde à medida que crescem”, acrescentou.

A equipe de pesquisa conclui que os resultados não apenas abrem novos caminhos para a investigação, mas também reforçam a importância de um acompanhamento médico contínuo para crianças expostas ao HIV, garantindo que recebam o apoio necessário para uma vida saudável e plena.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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