MADRID 27 ago. (EUROPA PRESS) -
Os médicos poderão detectar sinais da doença de Alzheimer e de outras demências por meio de exames oculares da retina muito antes do aparecimento dos sintomas, de acordo com um estudo do Jackson Laboratory (EUA).
Os resultados desse estudo publicado na revista "Alzheimer's & Dementia" associam alterações anormais em pequenos vasos sanguíneos na retina de camundongos a uma mutação genética comum conhecida por aumentar o risco da doença de Alzheimer.
Como a retina faz parte do sistema nervoso central, os cientistas geralmente a consideram uma extensão do cérebro que compartilha essencialmente o mesmo tecido. Dessa forma, as alterações nos vasos sanguíneos da retina podem fornecer pistas precoces sobre a saúde do cérebro e doenças como o Alzheimer, disse a neurocientista do The Jackson Laboratory e chefe da pesquisa, Alaina Reagan.
A esse respeito, Reagan diz que se alguém estiver em uma consulta com um optometrista ou oftalmologista e puder ver alterações vasculares estranhas na retina, isso poderia representar algo que também está acontecendo no cérebro, o que "poderia ser muito valioso para o diagnóstico precoce".
Para obter as evidências, a equipe estudou camundongos com uma mutação chamada MTHFR 677C>T, presente em até 40% das pessoas. Eles descobriram que as retinas desses camundongos tinham vasos sanguíneos retorcidos, artérias estreitas e inchadas e ramificação vascular reduzida aos seis meses de idade. "Esses vasos sanguíneos ondulados nas retinas são algo que pode ocorrer em pessoas com demência", explica Reagan.
Isso reflete alterações semelhantes no cérebro relacionadas ao fluxo sanguíneo insuficiente e ao aumento do risco de declínio cognitivo. Os vasos sanguíneos que parecem mais torcidos e dobrados do que o normal podem indicar problemas de hipertensão, pois o estreitamento do tecido limita o transporte de nutrientes e oxigênio, observa Reagan. Em outras palavras, "isso indica um problema mais sistêmico, não apenas um problema específico do cérebro ou da retina. Pode ser um problema de pressão arterial que afeta todo o corpo".
Da mesma forma, pesquisas anteriores do mesmo laboratório em 2022 revelaram que os camundongos com essa mutação genética "têm menos vasos sanguíneos no córtex e fluxo sanguíneo reduzido para o cérebro. Essas são mudanças sutis, mas estão lá".
Eles também descobriram alterações nos padrões de proteínas no cérebro e na retina. Especificamente, eles encontraram alterações na forma como as células produzem energia, removem proteínas danificadas e mantêm a estrutura e o suporte dos vasos sanguíneos, oferecendo pistas importantes sobre como a mutação MTHFR 677C>T afeta o olho. Nesse sentido, os resultados apóiam a teoria de que a saúde dos vasos sangüíneos desempenha um papel fundamental nas doenças neurodegenerativas, diz Reagan.
Agora, para verificar se a ligação entre a mutação e as alterações vasculares ocorre em seres humanos, bem como se o novo conhecimento pode ser usado em exames oftalmológicos, a equipe está colaborando com médicos e especialistas em cuidados com a demência no Northern Light Acadia Hospital em Bangor, Maine.
A ideia é estudar não apenas uma causa ou solução para a doença de Alzheimer e outras demências, já que essas condições dependem de uma variedade de fatores genéticos e ambientais, mas também entender melhor como a saúde dos olhos contribui para o risco geral dessas doenças. Se os médicos souberem quais sinais procurar, eles poderão comunicar esses fatores de risco aos pacientes e recomendar exames adicionais, conclui Reagan.
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