Publicado 30/06/2025 09:54

O exame de sangue detecta o risco de pré-eclâmpsia 5 meses antes do aparecimento dos sintomas

A triagem baseada em cfRNA poderá estar disponível na prática clínica no próximo ano

Archivo - Arquivo - Gravidez, grávida
NATALIADERIABINA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 30 jun. (EUROPA PRESS) -

Um exame de sangue de rotina realizado no primeiro trimestre da gravidez pode identificar com precisão as mulheres com risco de desenvolver pré-eclâmpsia cinco meses antes do aparecimento dos sintomas, de acordo com pesquisa realizada pela empresa iPremom e pesquisadores da Fundação Carlos Simón, apresentada na segunda-feira na 41ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE).

Os pesquisadores analisaram fragmentos de RNA que circulam livremente no plasma sanguíneo (cfRNA) para estudar sinais moleculares durante a gravidez. Entre setembro de 2021 e junho de 2024, 9.586 mulheres grávidas de 14 hospitais espanhóis participaram de um estudo clínico, cujos dados foram usados para prever com sucesso o risco de pré-eclâmpsia semanas antes do aparecimento dos primeiros sintomas, abrindo a porta para a detecção precoce e personalizada.

A abordagem do cfRNA permite que sinais moleculares sutis sejam capturados de vários tecidos maternos, incluindo o útero e a placenta, meses antes do aparecimento dos sintomas. Amostras de sangue foram coletadas em vários momentos da gravidez (9-14 semanas, 18-28 semanas e após 28 semanas ou no momento do diagnóstico). A partir dessas amostras, os pesquisadores extraíram o cfRNA e analisaram 548 amostras de 216 mulheres usando a tecnologia de sequenciamento de cfRNA.

Usando técnicas de inteligência artificial, eles conseguiram identificar padrões específicos que previam quais mulheres desenvolveriam pré-eclâmpsia antes de qualquer sinal clínico.

No primeiro trimestre da gravidez, esse modelo preditivo foi capaz de antecipar casos de pré-eclâmpsia de início precoce com notável precisão: identificou corretamente 83% das mulheres que desenvolveriam a doença e descartou corretamente 90% das que não a desenvolveriam. Em média, essa previsão foi feita 18 semanas antes do diagnóstico clínico. A confiabilidade geral do modelo foi muito alta, com uma pontuação de 0,88 de 1 na métrica padrão que avalia esse tipo de teste.

"Pela primeira vez, demonstramos que uma amostra de sangue de rotina no primeiro trimestre pode fornecer um alerta precoce de pré-eclâmpsia com alta precisão, muito antes do aparecimento dos sintomas", afirma a pesquisadora biomédica Dra. Nerea Castillo Marco, primeira autora do estudo.

A PRÉ-ECLÂMPSIA PRECOCE ENVOLVE ALTERAÇÕES MOLECULARES

A pré-eclâmpsia de início tardio também foi prevista com uma média de 15 semanas de antecedência, graças a um conjunto diferente de sinais genéticos no sangue, que quase não coincidia com o anterior. Em contraste com os casos de início precoce, os casos de início tardio detectaram poucos sinais relacionados ao revestimento uterino e, em vez disso, mostraram alterações ligadas a processos gerais em todo o corpo. Esses resultados confirmam que a pré-eclâmpsia de início precoce e a de início tardio são duas condições diferentes, tanto na origem quanto no desenvolvimento.

"Nossas análises transcriptômicas mostraram que a pré-eclâmpsia precoce envolve alterações moleculares generalizadas em todos os órgãos, incluindo fígado, rins, placenta, cérebro e pulmões", diz Castillo.

Olhando para o futuro, a líder do projeto, Dra. Tamara Garrido, diz que, com os esforços de validação clínica e as aprovações regulatórias já em andamento, a triagem baseada em cfRNA poderá estar disponível na prática clínica no próximo ano, "oferecendo uma oportunidade sem precedentes para a identificação precoce e não invasiva de gestações com risco de desenvolver pré-eclâmpsia e intervenção oportuna".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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