Publicado 20/08/2026 06:07

Ex-funcionário do departamento de segurança da Meta afirma que a empresa estava ciente dos riscos para os menores e os ignorou

Archivo - Arquivo - Atualização das contas da Meta.
META. - Arquivo

MADRID 20 ago. (Portaltic/EP) -

A Meta estava ciente dos danos que seus produtos causavam às crianças, mas optou por não modificá-los, segundo relatou um ex-funcionário da empresa de tecnologia, que trabalhou na área de Segurança e chegou a se comunicar pelo menos cem vezes com o diretor executivo da empresa, Mark Zuckerberg, alertando sobre essa questão.

Arturo Béjar, ex-engenheiro de Segurança da Meta, prestou depoimento na terça e na quarta-feira no âmbito do julgamento que a empresa de tecnologia enfrenta nos Estados Unidos contra uma coalizão de estados que a acusa de ter manipulado deliberadamente o Facebook e o Instagram para que as crianças se tornassem viciadas em suas redes sociais.

É questionado o design das redes sociais, com mecanismos como o “scroll” infinito e ferramentas como a recomendação de conteúdo, que chegou a impulsionar publicações de predadores sexuais e imagens com violência gráfica, entre outros elementos.

Béjar trabalhou seis anos com as ferramentas de segurança da Meta e, embora tenha deixado a empresa em 2015, retornou em 2019 como consultor externo até sua saída definitiva em 2021. Nesse período, sobretudo em sua primeira etapa, ele reconheceu que não estava realmente ciente do risco que as redes sociais representavam para os menores.

A compreensão da ameaça surgiu quando sua filha adolescente abriu uma conta no Instagram para compartilhar sua paixão por carros e acabou sendo vítima de assédio, conforme relatado pela Bloomberg.

Béjar afirmou que os executivos da empresa estavam plenamente cientes dos problemas que o Facebook e o Instagram causavam aos menores e que ele próprio chegou a informar diretamente Zuckerberg sobre essas questões, tendo entrado em contato com ele pelo menos cem vezes.

O The Guardian traz a declaração sobre um e-mail que Béjar enviou ao diretor executivo da Meta em 2021, no qual alertava sobre as constantes denúncias de conteúdo prejudicial e os danos que isso causava ao bem-estar dos adolescentes nas duas redes sociais, com o que o engenheiro desmente a afirmação pública de Zuckerberg de que a empresa não prioriza os lucros em detrimento da segurança.

Quando questionado se Zuckerberg chegou a responder a alguma de suas advertências, o engenheiro afirmou que não.

Béjar também foi questionado sobre a atividade de sua filha nas redes sociais, sobretudo sobre ter permitido que ela abrisse uma conta, sabendo dos riscos em primeira mão. “Meu papel como pai era apoiá-la para lidar com essa situação”, declarou ele, garantindo que “é um assunto que discutimos com frequência; ela compreende a natureza do dano e o que a empresa poderia melhorar a esse respeito”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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