Gustavo Valiente - Europa Press
MADRID 17 jul. (EUROPA PRESS) -
A psicóloga da Blua de Sanitas, Soledad Scarcella, e o chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Sanitas La Zarzuela, em Madri, o Dr. José Luis Zamorano, ofereceram uma série de conselhos para “reduzir o impacto físico e emocional da final da Copa do Mundo”, entre os quais estão evitar o álcool e o uso constante das redes sociais.
Essas recomendações, úteis “especialmente para quem apresenta fatores de risco ou doenças pré-existentes”, mostram que é importante “evitar fatores que intensifiquem a resposta do corpo”, indicaram eles, acrescentando que “o consumo excessivo de álcool aumenta a frequência cardíaca e favorece a desidratação”. “Também é aconselhável limitar o tabagismo e evitar bebidas energéticas durante a partida”, explicaram.
Nesse sentido, Scarcella e Zamorano defendem “limitar a consulta constante das redes sociais e das atualizações esportivas”, já que “verificar continuamente comentários, reações ou notícias mantém o cérebro em estado de alerta e aumenta a tensão”. “Durante os intervalos, é recomendável afastar-se por alguns minutos do celular e reduzir a exposição a estímulos relacionados à partida”, acrescentaram.
Além disso, eles destacaram que é preciso “manter o tratamento e as rotinas”, pois “os anti-hipertensivos, anticoagulantes e outros medicamentos devem ser tomados no horário indicado”, por isso “não se deve pular doses, duplicá-las nem recorrer a ansiolíticos sem receita médica”. “As pessoas que costumam sentir ansiedade intensa ou que têm alguma doença cardiovascular podem acompanhar o jogo em um local menos barulhento, com temperatura agradável e fácil acesso à medicação”, insistiram.
“Agir diante dos sinais de alarme” é a última medida sugerida, destacando que “se surgir dor ou pressão persistente no peito, dificuldade para respirar, suor frio, tontura intensa ou um mal-estar que não passa, é necessário ligar para o pronto-socorro”. “Esperar até o final da partida pode atrasar um atendimento essencial”, afirmaram.
A FREQUÊNCIA CARDÍACA ACELERA E A PRESSÃO ARTERIAL AUMENTA
Nesse sentido, explicaram que, durante a partida, são liberados hormônios como a adrenalina, que aceleram a frequência cardíaca e elevam temporariamente a pressão arterial. Na maioria das pessoas saudáveis, o organismo recupera seu estado normal quando o estímulo termina, mas essa ativação pode ser mais significativa em quem apresenta hipertensão mal controlada, cardiopatia isquêmica, insuficiência cardíaca ou certas arritmias.
“Durante uma final, o coração pode aumentar seu ritmo sem que a pessoa esteja praticando exercícios”, afirmou Zamorano, que acrescentou que “essa resposta não deve ser interpretada isoladamente como uma doença, mas é aconselhável redobrar a prevenção quando há um problema cardiovascular conhecido, especialmente se a emoção for acompanhada de álcool, tabaco ou interrupção da medicação”.
Assim, após os especialistas exporem que um estudo publicado este ano na revista especializada ‘Scientific Reports’ analisou dados de relógios inteligentes de 229 torcedores durante 12 semanas e constatou que seu nível médio de estresse foi 41% superior no dia de uma final em comparação com dias sem jogo, Scarcella declarou que “quando a tensão aumenta demais, é útil afastar-se por alguns minutos da tela, reduzir os estímulos e lembrar que o resultado não depende do espectador”.
“Quando o nervosismo persiste por horas, impede o sono ou provoca episódios repetidos de angústia, é aconselhável consultar um profissional de saúde”, continuou ele, ressaltando que “a emoção faz parte do esporte, mas deve permanecer dentro de limites que permitam apreciá-lo sem ignorar os sinais do corpo”.
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