MADRID 20 mar. (EUROPA PRESS) -
Uma variedade única de plutônio radioativo descoberta em amostras do fundo do mar foi associada a uma kilonova, que provavelmente detonou perto da Terra há dez milhões de anos.
No entanto, para provar a existência dessa explosão, serão necessárias mais evidências, e os pesquisadores acreditam saber onde encontrá-las: na superfície lunar.
"Vivemos em um cemitério de supernovas", disse Brian Fields, astrônomo da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, à Cúpula Global de Física da Sociedade Americana de Física. "As supernovas produzem minúsculas partículas de rocha que podem literalmente chover sobre a Terra. Elas se acumulam nas profundezas do oceano e também se fixam na Lua."
Fields tem teorizado sobre esses detritos cósmicos desde a década de 1990. Mas foi somente em 2004 que os pesquisadores começaram a separar os detritos de supernovas de amostras do oceano. Eles encontraram traços de uma versão radioativa de ferro que não ocorre naturalmente na Terra e só pode ser explicada por uma supernova próxima que ocorreu em algum momento da história recente da Terra.
Nos anos seguintes, cerca de uma dúzia de outras amostras, tanto do oceano quanto da lua, pintaram um quadro mais detalhado dessa história explosiva. As teorias refinadas de Fields e seus colegas apontaram para dois eventos de supernova separados que ocorreram há 3 e 8 milhões de anos. "Essa é uma evidência observacional direta de que as supernovas são fábricas de radioatividade", disse Fields.
COQUETEL CÓSMICO
A trama se complicou em 2021, quando os pesquisadores descobriram uma substância ainda mais rara presente nessas mesmas amostras: um isótopo radioativo de plutônio. Essa descoberta exigiu uma história de origem ainda mais incomum do que as violentas mortes estelares que dão origem às supernovas.
Acredita-se que a variante de plutônio encontrada pelos pesquisadores seja proveniente de quilonovas, erupções que ocorrem quando duas estrelas binárias de nêutrons se unem em espiral em uma colisão cataclísmica. As quilonovas também são fábricas de alguns dos elementos mais raros do nosso planeta, como o ouro e a platina, e os astrônomos há muito tempo tentam desvendar a mecânica desse tipo de explosão.
Fields e seus colegas agora suspeitam que um evento kilonova separado precedeu as duas supernovas identificadas anteriormente, entrando em erupção há pelo menos 10 milhões de anos. Essas diferentes explosões formaram uma espécie de coquetel radioativo, deixando uma assinatura híbrida de ferro e plutônio nas amostras.
"Tivemos uma kilonova que produziu plutônio, como normalmente faz, e o dispersou por toda parte", disse Fields. "Depois, com a agitação do material por uma supernova, ele se misturou e parte dele caiu na Terra."
Mas Fields e sua equipe ainda querem realizar mais testes para fortalecer sua teoria. Com os esforços renovados, como as missões Artemis, para o retorno de humanos à Lua, os pesquisadores estão otimistas de que as amostras lunares que eles esperam analisar não serão tão escassas.
"No momento, nosso solo lunar é muito valioso porque é tudo o que temos", disse Fields à Live Science. "Esperamos que, em algum momento, possamos fazer viagens regulares à Lua, para que não seja um grande problema; colher amostras de um quilo não parecerá muito para eles."
Com mais solo, Fields e seus colegas esperam verificar se essa quilonova realmente ocorreu, bem como determinar quando e onde ela aconteceu. Devido à sua geologia mais simples, a Lua deve fornecer uma imagem mais clara de como os detritos cósmicos chegaram lá.
"Na Terra, as coisas afundam no fundo do oceano, e você precisa se preocupar com as correntes e a atmosfera", disse Fields à Live Science. "Mas a Lua é incrível porque, quando as coisas aterrissam, elas simplesmente aterrissam", acrescenta Fields, que pediu à NASA para incluir essa pesquisa no programa Artemis.
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