MADRID, 13 out. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe internacional liderada pelo Instituto Geológico e Mineiro da Espanha (IGME-CSIC) descobriu um fóssil no Marrocos, chamado "Atlascystis acantha", que é fundamental para entender a evolução dos equinodermos, ou seja, o grupo de invertebrados que inclui estrelas-do-mar, ouriços-do-mar e pepinos-do-mar.
A nova espécie lança luz sobre um dos maiores enigmas da evolução animal: como os equinodermos passaram de um corpo bilateral para a característica simetria de cinco raios que os distingue hoje, como aponta a instituição.
O estudo, publicado na revista "Current Biology" e revisado pela "Nature", apresenta o "Atlascystis acantha" como o mais antigo equinodermo conhecido com simetria bilateral e o primeiro documentado em diferentes estágios de desenvolvimento. O fóssil, proveniente de depósitos do Cambriano Inferior no Anti-Atlas marroquino, data de cerca de 510 milhões de anos atrás, um período importante no início da diversificação da vida animal.
O fóssil mostra uma forma bilateral, muito diferente da simetria radial que caracteriza os equinodermos atuais. A simetria bilateral, que é compartilhada por humanos e pela maioria dos animais, refere-se a um contorno básico com um eixo corporal dividindo o corpo em dois lados. Na verdade, os próprios equinodermos têm essa composição em seu estágio larval; no entanto, ao se metamorfosearem e se estabelecerem no fundo do mar, eles desenvolvem uma simetria pentradial, uma espécie de cabeça sem tronco, que os caracteriza como adultos.
De acordo com o estudo, o 'Atlascystis acantha' parece se mover entre as duas simetrias, pois manteve a simetria bilateral durante seu estágio adulto, enquanto suas estruturas anatômicas anteciparam a evolução para um corpo com cinco raios.
Essa descoberta, baseada em espécimes fósseis encontrados pelo IGME-CSIC, nos permite reconstruir como as estruturas corporais desses animais marinhos evoluíram. Os espécimes estudados foram visualizados por meio de radiação síncrotron (luz eletromagnética extremamente intensa produzida por elétrons que se movem a velocidades próximas à da luz), o que permitiu reconstruí-los em três dimensões sem a necessidade de prepará-los mecanicamente e, portanto, sem que a manipulação física pudesse alterar seu estado original.
Apesar de sua forma bilateral, o 'Atlascystis acantha' tem ambulacros, estruturas tubulares com ventosas típicas dos equinodermos atuais que estão envolvidas em funções essenciais, como alimentação e movimento. Essas estruturas tornam esse fóssil uma peça-chave no quebra-cabeça evolutivo, mostrando a morfologia mais primitiva dos primeiros equinodermos. No decorrer de sua evolução, esse grupo de animais passou por uma mudança radical na simetria do corpo, de bilateral para radial.
Os ambulacros são o elo anatômico que conecta os fósseis antigos aos equinodermos atuais por meio da duplicação. Ou seja, os equinodermos mais antigos têm dois ambulacros. Posteriormente, esses animais passaram por uma redução para um e, em seguida, por uma duplicação que levou primeiro a três e depois a cinco. Esse processo evolutivo define como as estrelas-do-mar atuais têm cinco braços.
A descoberta do 'Atlascystis acantha' não apenas completa uma peça fundamental no quebra-cabeça evolutivo dos equinodermos, mas também ilustra o papel crucial do registro fóssil na compreensão de como os planos corporais de grandes animais foram construídos.
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