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MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo da vida real, publicado recentemente na revista Frontiers in Endocrinology, mostra que diferentes alternativas farmacológicas no tratamento da acromegalia poderiam reduzir a dose em pacientes submetidos à cirurgia, mantendo a eficácia clínica.
"Em alguns casos, é possível até mesmo suspender o tratamento. Essa flexibilidade melhora muito a qualidade de vida do paciente, que pode tomar menos medicamentos", disse a Dra. Eva Venegas, do Hospital Universitário Virgen del Rocío, em Sevilha, que apresentou os dados do estudo durante a IV edição da EndoInnova, uma reunião realizada em Madri que serviu para abordar os avanços na acromegalia e na síndrome de Cushing com foco na qualidade de vida do paciente.
A acromegalia é uma doença causada por um excesso de hormônio do crescimento, que provoca alterações físicas progressivas e complicações cardiovasculares, respiratórias e metabólicas. Assim, o estudo analisou diferentes alternativas farmacológicas de segunda linha após a falha dos análogos de somatostatina de primeira geração.
"Já sabíamos que existe uma opção muito eficaz, mas em nossa série descobrimos que essa eficácia também se mantém fora do contexto controlado dos ensaios clínicos", explicou ela, ressaltando a importância de trabalhar com dados da vida real.
Embora possa afetar o metabolismo glicêmico, esse efeito é esperado e facilmente gerenciado por endocrinologistas especializados: "O controle glicêmico pode piorar, mas agimos preventivamente. Os pacientes não ficam descompensados e as vantagens superam em muito essa desvantagem", disse ele.
Os autores sugerem que essa opção de tratamento pode ser considerada preferível em determinados pacientes, especialmente quando o objetivo é otimizar a relação custo-benefício do tratamento. Nessa análise, observou-se que uma das opções disponíveis na Espanha tinha um custo farmacológico anual direto menor do que outras terapias, mantendo uma eficácia bioquímica comparável em termos de controle de IGF-1. A economia média estimada foi de 9.423,26 euros/pessoa/ano.
Embora tenham sido detectados efeitos adversos leves relacionados ao metabolismo glicêmico, eles foram controláveis e não foram graves. Venegas destacou o impacto econômico de longo prazo da redução progressiva da dose: "Reduzir as doses também significa reduzir os custos. Não temos restrições quando se trata de escolher o tratamento, mas se pensarmos no custo-oportunidade para o sistema público como um todo, esse tipo de opção é uma vantagem adicional".
Com relação à abordagem abrangente da acromegalia, Venegas pediu mais tempo clínico e uma abordagem mais centrada no paciente: "Para avaliar de fato a qualidade de vida, precisamos de mais tempo com os pacientes. E precisamos entender que nem todos são iguais: suas circunstâncias são diferentes e isso deve ser levado em conta".
IV EDIÇÃO DA ENDOINNOVA
A acromegalia e a síndrome de Cushing são duas doenças endócrinas minoritárias. A EndoInnova colocou o foco na prática clínica real: como melhor tratar aqueles que vivem com essas patologias complexas, a partir de uma abordagem multidisciplinar e com foco na qualidade de vida. Em sua edição de 2025, o encontro reuniu 78 especialistas nacionais e internacionais.
Além disso, no âmbito da EndoInnova, foram entregues os prêmios da primeira edição do concurso focado em casos clínicos sobre a síndrome de Cushing: 'CushingQuest', que foram selecionados por um comitê independente de especialistas. Com a compilação desses casos clínicos, o objetivo é reunir experiências reais no tratamento de pacientes com síndrome de Cushing na Espanha e em Portugal, com o objetivo de compartilhar a experiência clínica dos participantes.
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