MADRID 28 ago. (EUROPA PRESS) -
Um estudo internacional publicado na revista "Science Advances" mostrou uma associação entre distúrbios digestivos, como colite, gastrite, esofagite ou distúrbios intestinais funcionais, e o desenvolvimento da doença de Alzheimer (DA) e da doença de Parkinson (DP).
Essas duas doenças são os dois distúrbios neurodegenerativos mais comuns e, juntas, afetam mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Embora tenham sido identificados fatores de risco genéticos importantes para a DA e a DP, acredita-se que as formas esporádicas e de início tardio se devam a uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais.
Para os pesquisadores, essa interação ressalta a importância de explorar diversas variáveis em diferentes sistemas corporais para entender sua contribuição para a etiologia da DA/DP. Portanto, os cientistas realizaram esse estudo com 500.000 pessoas com o objetivo de identificar distúrbios endócrinos, nutricionais, metabólicos e digestivos com possíveis associações causais ou temporais com o risco de doença de Alzheimer e doença de Parkinson antes do diagnóstico.
"Uma equipe internacional de pesquisadores de diferentes centros de pesquisa americanos, britânicos, espanhóis e brasileiros analisou se diferentes doenças intestinais (gastrite, esofagite, infecções intestinais bacterianas, gastroenterite e outras) contribuem para o aumento da incidência de distúrbios cerebrais neurodegenerativos, como as doenças de Alzheimer e Parkinson. Para fazer isso, eles analisaram dados de meio milhão de registros clínicos disponíveis nos bancos de dados de três biobancos", disse José Luis Lanciego, pesquisador sênior do Programa de Terapia Genética em Doenças Neurodegenerativas do Centro de Pesquisa Médica Aplicada (CIMA) da Universidade de Navarra, em declarações à SMC España.
Os resultados mostram que vários distúrbios foram associados a um risco maior de Alzheimer e Parkinson antes do diagnóstico, com variações na força e no momento das associações entre as diferentes condições.
"Esses dados corroboram as evidências existentes sobre o chamado eixo intestino-cérebro, por isso é importante prestar atenção a essas patologias intestinais para acompanhar os pacientes de perto e tentar fazer um diagnóstico precoce de doenças cerebrais neurodegenerativas", disse Lanciego.
Os escores de risco poligênico revelam uma menor predisposição genética para DA/DP em pessoas com distúrbios concomitantes. Além disso, o perfil proteômico dos casos de DA/DP foi influenciado por distúrbios comórbidos do eixo intestino-cérebro.
"O trato digestivo é frequentemente considerado o "segundo cérebro", pois possui vários neurônios em sua camada submucosa. "Ele está conectado ao cérebro bidirecionalmente por meio do nervo vago. Há muitas evidências que mostram um papel importante da microbiota intestinal e suas alterações (conhecidas como disbiose intestinal) no desencadeamento de doenças neurodegenerativas do cérebro", disse Lanciego.
Por fim, os modelos de previsão multimodal superam os paradigmas de modalidade única na classificação de doenças. Esse esforço destaca a interação entre os fatores envolvidos no eixo intestino-cérebro e o desenvolvimento de DA/DP, abrindo novos caminhos para a orientação terapêutica e o diagnóstico precoce.
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