MADRID 22 dez. (EUROPA PRESS) -
Uma pesquisa realizada no Centro Nacional de Microbiologia (CNM) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) obteve novos dados sobre a ação dos antibióticos fluoroquinolonas, usados para combater doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o micro-organismo que causa a maioria das pneumonias adquiridas na comunidade.
Os resultados do estudo, publicados na revista Nucleic Acids Research, fornecem novas percepções sobre a resistência que o pneumococo desenvolve contra esses medicamentos, o que complica a eficácia dos tratamentos contra infecções como a pneumonia.
Especificamente, a equipe de pesquisadores do ISCIII identificou quais alterações no genoma (metilação de A ou C na sequência GATC) inibem a atividade da girase, uma enzima essencial da S. pneumoniae, na qual as fluoroquinolonas atuam. Esse conhecimento pode significar que a metilação do DNA pode ser um novo alvo antibiótico.
A DNA girase, alvo das fluoroquinolonas, é uma enzima essencial para os processos celulares, pois mantém a topologia do cromossomo bacteriano, uma função que desempenha por meio de sua localização estratégica no cromossomo. Os pesquisadores do CNM-ISCIII, liderados pela Dra. Adela González, realizaram um mapeamento genômico das sequências às quais o complexo girase-fluoroquinolona se liga na bactéria, usando técnicas de imunoprecipitação e sequenciamento maciço.
Entre os 1.517 sítios genéticos detectados nesse mapeamento, a maioria (92,7%) estava localizada dentro de genes e estava associada a altos níveis de transcrição. O sequenciamento identificou a sequência GATC, uma sequência-chave no DNA bacteriano, como a sequência mais frequente à qual a girase se liga (21,2% de todos os sítios). Essa sequência é o alvo de três sistemas de restrição pneumocócica, chamados DpnI, DpnII e DpnIII, e o estudo mostra que a metilação no GATC pelos sistemas DpnII ou DpnIII diminui a atividade da girase.
Como a girase é menos ativa em cepas com metilação do GATC, a equipe do CNM-ISCIII trabalhou com a hipótese de que a frequência de aparecimento de mutantes resistentes a fluoroquinolonas seria maior em cepas com metilação do GATC. A pesquisa permitiu comprovar essa tese, uma descoberta fundamental para entender a estabilização da resistência à fluoroquinolona no pneumococo, uma vez que as cepas que carregam os sistemas DnI, DpnII ou DpnIII estão presentes na população de isolados clínicos.
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