MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) -
A membro do Hospital Universitário de Brno, Jitka Malcikova, destacou que “as aberrações do TP53 fazem parte do diagnóstico de rotina há mais de duas décadas e devem ser avaliadas antes de cada linha de tratamento, uma vez que condicionam de forma determinante a estratégia terapêutica” na leucemia linfocítica crônica (LLC).
“As recomendações atualizadas de diferentes organismos europeus reforçam essa necessidade”, destacou Malcikova, que participou da 16ª Reunião do Grupo Espanhol de Leucemia Linfocítica Crônica (GELLC) da Sociedade Espanhola de Hematologia e Hemoterapia (SEHH), realizada em Córdoba, evento no qual reconheceu, no entanto, que persistem "áreas cinzentas", como o impacto clínico das mutações de baixa carga ou outros casos.
Nesse sentido, a referida sociedade científica explicou que a caracterização molecular exaustiva, incluindo a análise sistemática de alterações no gene TP53 antes de cada linha terapêutica, se consolida como um pilar essencial na estratificação do risco e na tomada de decisões clínicas no tratamento da LLC, um tipo de câncer sanguíneo que terá 2.111 novos casos diagnosticados ao longo de 2026, de acordo com estimativas do Registro Espanhol de Câncer Hematológico (HematoREDECAN). Portanto, este representa o tipo de leucemia mais frequente em adultos no Ocidente e é caracterizado pela proliferação anômala e persistente de linfócitos maduros no sangue, na medula óssea e nos gânglios linfáticos. Diante disso, em relação ao tratamento de primeira linha, o debate médico atual gira em torno da terapia contínua com inibidores de BTK (iBTK) versus regimes de duração fixa.
Em pacientes com alterações no TP53, “a terapia contínua com iBTK oferece um controle prolongado da doença e, atualmente, continua sendo o padrão de tratamento nas diretrizes clínicas”, afirmou o representante do Hospital Universitário 12 de Outubro de Madri, Dr. Tycho Baumann, enquanto a representante do Hospital Universitário Reina Sofía de Córdoba, Margarita Fernández, afirmou que “a eficácia da terapia contínua com iBTK em pacientes com o gene TP53 mutado é superior à terapia finita”.
Nessa linha, Fernández garantiu que os iBTK de segunda geração apresentam uma eficácia comparável aos de primeira geração e um melhor perfil de segurança, pelo que “devem ser priorizados na terapia contínua”. “As terapias direcionadas de duração fixa estão substituindo progressivamente os tratamentos contínuos de primeira linha, mesmo em pacientes de alto risco”, afirmou, por sua vez, a integrante do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau de Barcelona, Dra. Ana Muntañola, que destacou a limitação temporal das toxicidades, os períodos prolongados sem tratamento, a possibilidade de retratamento e a melhoria da qualidade de vida.
“A decisão em primeira linha depende da combinação de múltiplos fatores — biológicos e clínicos — para maximizar o benefício sem comprometer a qualidade de vida”, continuou Fernández, que destacou que as terapias contínuas com iBTK podem ser especialmente adequadas em pacientes idosos e com comorbidades relevantes, prestando especial atenção ao risco cardiovascular.
MELHORIA NA SOBREVIVÊNCIA Por outro lado, nesta reunião foi exposto que a LLC é uma doença crônica com taxas de sobrevivência que melhoraram notavelmente nos últimos anos, graças à inovação terapêutica. A sobrevivência líquida em cinco anos já ultrapassava, em 2018, os 80% em Espanha, pelo que esta taxa poderá estar próxima dos 90% em 2025. Neste contexto, um em cada 10 pacientes apresenta risco elevado e múltiplas recaídas, para os quais a imunoterapia celular surge como uma alternativa inovadora. A terapia com células CAR-T “apresenta desafios relacionados a defeitos intrínsecos dos linfócitos T e taxas de resposta mais baixas do que em outras neoplasias hematológicas, pelo que se exploram outros fármacos, como degradadores de proteínas ou bispecíficos”, afirmou a Dra. Izaskun Zeberio, membro do Hospital Universitário Donostia, em Guipúzcoa.
“A integração sistemática de novas técnicas de biologia molecular na prática clínica permite uma estratificação muito mais precisa do risco e facilita decisões terapêuticas realmente personalizadas”, destacou a representante do Hospital del Mar da cidade de Barcelona e coordenadora desta reunião, Dra. Blanca Espinet, para quem o futuro passa pela combinação de conhecimento molecular, avaliação clínica integral e novas estratégias terapêuticas.
Outros participantes neste encontro foram a Dra. Almudena Navarro, membro do Hospital Universitário de Salamanca e também coordenadora do mesmo, que afirmou que “a LLC é um exemplo paradigmático de como a medicina de precisão transforma a prática clínica”, e o presidente do GELLC, o Dr. Francesc Bosch, que trabalha no Hospital Universitário Vall d'Hebron de Barcelona e considera que “o desafio atual não é apenas dispor de múltiplas opções terapêuticas eficazes, mas saber selecionar a melhor estratégia para cada paciente e em cada momento da doença”.
“O avanço na LLC foi possível graças à pesquisa cooperativa”, declarou, mais tarde, a vice-presidente do GELLC e membro do Hospital Universitário Marqués de Valdecilla de Santander, Dra. Lucrecia Yáñez. Tudo isso em um evento em que foi apresentada a nova Associação de Pacientes com LLC (ASPA-LLC), cujo objetivo é melhorar a vida dos pacientes com LLC e encontrar a cura.
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