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MADRID 28 mar. (EUROPA PRESS) -
Um estudo do Grupo de Melanoma do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO) descobriu um mecanismo pelo qual os melanomas e outros tumores agressivos impedem que o sistema imunológico os reconheça e os ataque.
O estudo, liderado por Marisol Soengas, também ajuda a entender por que, quando o melanoma se espalha para outros órgãos, levando à metástase, ele geralmente desenvolve resistência à imunoterapia convencional.
O trabalho foi publicado na revista "Nature Cancer", tendo Xavier Catena - atualmente na Universidade de Lund (Suécia) - como primeiro autor. Após estudos em células, ratos e mais de 150 bancos de dados de pacientes, a equipe descobriu que as células do melanoma secretam uma proteína, chamada Midkine, que reduz o número de um tipo de célula especializada em reconhecer tumores, as células dendríticas.
Além disso, a Midkine reprograma as células dendríticas para que alterem sua função de forma a promover o desenvolvimento do tumor. "Nesse trabalho, descobrimos que o Midkine atua como escudo e acelerador ao mesmo tempo: ele impede que as células tumorais sejam reconhecidas e eliminadas e também facilita ativamente o progresso e a disseminação das células malignas", explica Soengas.
As células dendríticas normalmente atuam como vigias nas patrulhas de defesa, identificando moléculas estranhas em patógenos, como vírus e bactérias, e também em tumores. Em seguida, elas apresentam essas informações a outras células de defesa, as células T citotóxicas, para matar as células malignas. Este artigo mostra agora que, em melanomas, a Midkine reduz o número de células dendríticas e altera sua função.
"O aspecto mais relevante do trabalho é que entendemos como, por meio da Midkine, o melanoma não apenas desliga ou esfria o sistema imunológico, mas também o perverte a seu favor, contribuindo ativamente para sua disseminação. Ele faz isso em um estágio muito inicial e em escala corporal. Isso complica o desenvolvimento de novas terapias", diz ela.
IMPACTO NA IMUNOTERAPIA CONTRA O MELANOMA E OUTROS CÂNCERES
Depois que foi descoberto como o Midkine bloqueia o sistema imunológico, a pesquisa se concentrou em analisar o impacto sobre os tratamentos. Assim, o grupo do CNIO demonstrou em modelos animais que impedir a ação da Midkine melhora a eficácia das vacinas que têm como alvo as células dendríticas.
Além disso, impedir a ação da Midkine também facilita a ação terapêutica de uma das formas mais comuns de imunoterapia, os chamados inibidores do ponto de controle imunológico.
Os pesquisadores do CNIO também analisaram dados de grandes grupos de pacientes e descobriram uma assinatura genética associada à Midkine nas células dendríticas que se correlaciona com um pior prognóstico. Essa descoberta vai além do melanoma, pois efeitos semelhantes foram observados em cânceres de pulmão, mama, endométrio, glândula adrenal e mesotelioma, entre outros.
"Nossos resultados sugerem que a inibição da proteína Midkine poderia reativar as células dendríticas e melhorar as terapias contra diferentes tipos de tumores agressivos", acrescenta Soengas.
Esses resultados acrescentam novas informações a estudos anteriores do Grupo de Melanoma do CNIO, que já demonstraram que a proteína Midkine pode promover a metástase do melanoma e alterar a função de outros componentes do sistema imunológico.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático