MADRID 12 maio (EUROPA PRESS) -
Novos detalhes sobre a crosta de Vênus incluem algumas surpresas sobre a geologia do gêmeo mais quente da Terra, como uma crosta surpreendentemente fina.
Os cientistas esperavam que a camada mais externa da crosta de Vênus se tornasse cada vez mais espessa com o passar do tempo, dada a aparente falta de forças que a empurrassem para dentro, em direção ao interior do planeta. Entretanto, o artigo, publicado na Nature Communications, propõe um processo de metamorfismo da crosta com base na densidade da rocha e nos ciclos de fusão.
A crosta rochosa da Terra é composta de placas maciças que se movem lentamente, formando dobras e falhas em um processo conhecido como tectônica de placas. Por exemplo, quando duas placas colidem, a placa mais leve desliza sobre a mais densa, forçando-a a descer para a camada inferior, o manto.
Esse processo, conhecido como subducção, ajuda a controlar a espessura da crosta terrestre. As rochas que compõem a placa inferior sofrem alterações causadas pelo aumento da temperatura e da pressão à medida que afundam no interior do planeta. Essas mudanças são conhecidas como metamorfismo, uma das causas da atividade vulcânica.
UMA CROSTA EM UMA SÓ PEÇA
Em contraste, Vênus tem uma crosta de uma só peça, sem evidência de subducção causada por placas tectônicas como na Terra, explicou Justin Filiberto, vice-diretor da Divisão de Pesquisa e Exploração de Astromateriais da NASA no Johnson Space Center da NASA em Houston e coautor do artigo. O estudo usou modelos para determinar que sua crosta tem uma espessura média de cerca de 40 quilômetros (25 milhas) e uma espessura máxima de 65 quilômetros (40 milhas).
"É surpreendentemente fina, dadas as condições do planeta", disse Filiberto. "Acontece que, de acordo com nossos modelos, à medida que a crosta engrossa, sua base se torna tão densa que ela se desprende e se torna parte do manto ou fica quente o suficiente para derreter." Portanto, embora Vênus não tenha placas móveis, sua crosta sofre metamorfismo. Essa descoberta é um passo importante para a compreensão dos processos geológicos e da evolução do planeta. "Essa ruptura ou derretimento pode devolver água e elementos ao interior do planeta e contribuir para impulsionar a atividade vulcânica", acrescentou Filiberto. "Isso nos dá um novo modelo de como o material retorna ao interior do planeta e outra maneira de gerar lava e estimular erupções vulcânicas. Isso redefine as regras do jogo para a interação entre a geologia, a crosta e a atmosfera de Vênus."
METAMORFISMO E RECICLAGEM
A próxima etapa, acrescentou ele, é coletar dados diretos sobre a crosta de Vênus para testar e refinar esses modelos. Várias missões futuras, como a DAVINCI (Noble Gas Research, Chemistry and Imaging of the Venus Deep Atmosphere) e a VERITAS (Venus Emissivity, Radioscience, InSAR, Topography and Spectroscopy) da NASA e, em colaboração com a ESA (Agência Espacial Europeia), a Envision, têm como objetivo estudar a superfície e a atmosfera do planeta com mais detalhes.
Esses esforços podem ajudar a confirmar se processos como metamorfismo e reciclagem estão moldando ativamente a crosta venusiana atualmente e revelar como essa atividade pode estar ligada à evolução vulcânica e atmosférica.
"Não sabemos realmente quanta atividade vulcânica existe em Vênus", disse Filiberto. "Presumimos que haja muita, e as pesquisas indicam que deve haver, mas precisaríamos de mais dados para ter certeza."
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