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MADRID 28 ago. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo mostra que a figura do responsável pela segurança do paciente não é reconhecida uniformemente em nível internacional, mas aparece de forma dispersa e heterogênea, o que "deixa um vácuo operacional que tem repercussões sobre a eficácia das estratégias de segurança".
É o que indica o documento "The Patient Safety Officer: an essential profile even without a uniform framework at international level", elaborado por Antonio Burgueño, do Enclave Salud, no âmbito do Projeto de Promoção da Segurança do Paciente. O Diretor de Segurança do Paciente desempenha funções para promover uma cultura de segurança, coordenar a prevenção de riscos e promover melhorias tangíveis no atendimento.
O trabalho analisou sistematicamente as estruturas de doze organizações internacionais de referência, incluindo: OMS, Joint Commission International, Institute for Healthcare Improvement (IHI), National Quality Forum (NQF), Australian Commission on Safety and Quality in Health Care (ACSQHC), Haute Autorité de Santé (HAS, França), Aktionsbündnis Patientensicherheit (APS, Alemanha), ISQua, bem como outras normas e agências nacionais, como a UNE 179003 (Espanha) ou a ANSM (França).
A análise foi desenvolvida em torno de dez aspectos principais da segurança do paciente - desde a cultura de segurança e a liderança até o gerenciamento de riscos, o envolvimento de profissionais e pacientes, a documentação, as competências e a tecnologia de saúde - que permitiram que o projeto fosse enquadrado em uma visão abrangente e operacional.
Além disso, o documento aponta que há alguns casos em que a exigência de um responsável pela segurança do paciente é explícita, como o ACSQHC na Austrália ou o HAS na França, que exigem que cada hospital tenha uma função formalmente designada para a segurança, diretamente ligada aos seus sistemas de credenciamento e certificação.
Em outras estruturas, a figura é mencionada apenas indiretamente. Órgãos de referência como a OMS, o IHI ou a JCI reconhecem a importância de ter funções de segurança, mas não chegam a estabelecer um perfil definido ou uma estrutura comum de ação.
Por fim, há instituições que recomendam sua designação sem torná-la uma obrigação. Esse é o caso da APS alemã ou da norma UNE espanhola, que promovem a existência de agentes de segurança como uma boa prática, mas deixam sua adoção no âmbito da recomendação.
O resultado é que, na maioria dos modelos, as funções de segurança são distribuídas entre diferentes níveis organizacionais - comitês, diretorias e equipes clínicas -, o que pode levar a lacunas operacionais, duplicação de tarefas e grande dificuldade em avaliar os resultados de forma consistente. A conclusão central é que atualmente não existe um modelo internacional uniforme para essa função, embora sua necessidade seja amplamente reconhecida.
"Atualmente, falta uma estrutura uniforme para essa função, e este estudo propõe o primeiro roteiro claro aplicável a hospitais e sistemas de saúde", enfatizou Burgueño.
UMA PROPOSTA PARA MELHORAR A SITUAÇÃO
Em resposta a essa lacuna, também foi apresentado o manual 'The Role of the Patient Safety Officer', que reúne as conclusões do estudo e propõe um modelo prático. Sua abordagem organiza as funções do gerente em torno de dez aspectos-chave, desde a cultura de segurança até o gerenciamento de tecnologia, e define competências, treinamento e métodos de avaliação.
Sua contribuição é estruturar uma função dinâmica e facilitadora que reforce as responsabilidades compartilhadas, fornecendo uma referência técnica e cultural para todos os níveis da organização.
O desenvolvimento do manual foi baseado na experiência e nos desenvolvimentos metodológicos do Projeto Impulso, uma metodologia implementada em dezenas de organizações de saúde. Esse modelo serviu de base para traduzir benchmarks internacionais em uma estrutura estruturada, mensurável e integrada para a prática hospitalar.
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