MADRID 22 abr. (EUROPA PRESS) -
Certos neurônios hipotalâmicos são capazes de modificar a composição da microbiota intestinal em questão de duas horas, de acordo com uma pesquisa em camundongos conduzida pela Clínic-IDIBAPS, o Centro Singular de Pesquisa em Medicina Molecular e Doenças Crônicas (CiMUS) da Universidade de Santiago de Compostela e a Universidade Católica de Leuven (Bélgica).
As descobertas do estudo, publicadas na "Nature Metabolism", representam uma mudança de paradigma que amplia a regulação da microbiota intestinal para além da dieta e dos ritmos circadianos. Assim, eles detectaram um novo eixo cérebro-intestino capaz de regular o microbioma intestinal em diferentes áreas do trato digestivo.
Técnicas quimiogenéticas foram usadas para ativar ou inibir seletivamente os neurônios hipotalâmicos em camundongos, e os camundongos receberam hormônios envolvidos na ingestão de alimentos.
Os resultados mostram que as alterações induzidas pelo cérebro na microbiota são acompanhadas por uma reconfiguração das vias neurais que chegam ao duodeno e uma ativação do sistema nervoso simpático, a parte do sistema nervoso autônomo responsável, entre outras, pelas respostas ao estresse.
Além disso, essa modulação da microbiota é anatomicamente específica, ou seja, diferentes regiões do intestino respondem de forma diferente, dependendo de quais neurônios são ativados em um determinado momento. Descobriu-se também que a obesidade induzida pela dieta reduz essa capacidade do cérebro de regular a microbiota.
"Esses resultados nos ajudam a entender melhor a relação entre o cérebro, a microbiota e o metabolismo, o que nos permitirá estudar melhor os mecanismos que regulam essa interação. E, a longo prazo, abrirão as portas para novas formas de abordar as doenças metabólicas e a obesidade, com possíveis implicações para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas", explicou o coordenador do estudo e chefe do grupo Neuronal Control of Metabolism do IDIBAPS, Marc Claret.
O EIXO CÉREBRO-MICROBIOTA
O eixo cérebro-microbiota trabalha para manter o equilíbrio energético, pelo qual o cérebro é responsável, produzindo os metabólitos cuja função é fornecer ao corpo a energia necessária. Por sua vez, órgãos como o estômago, o tecido adiposo ou o pâncreas secretam hormônios que informam o cérebro sobre o status energético.
"O cérebro integra as informações da microbiota e dos órgãos metabólicos para orquestrar uma resposta adaptativa adequada a cada momento que mantém o equilíbrio energético do corpo", resumiu a pesquisadora do IDIBAPS e primeira autora do artigo, Míriam Toledo.
Dessa forma, ela enfatizou que a pesquisa que eles concluíram apresenta uma nova maneira pela qual o cérebro pode regular a homeostase do corpo: controlando a composição da microbiota intestinal.
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