MADRID 2 jun. (EUROPA PRESS) -
Um novo relatório do Projeto Venturi, intitulado "Determining factors of activity in Primary Care (family medicine)" (Fatores determinantes da atividade na Atenção Primária (medicina familiar)), aponta que o volume da atividade de saúde na APS não depende exclusivamente do envelhecimento da população ou do crescimento populacional, mas que outros pontos, como a demanda imediata dos pacientes, também devem ser levados em conta.
O documento destaca que a atenção primária está assumindo cada vez mais uma demanda mais imediata, marcada pelo acesso espontâneo e pela pressão da cronicidade, em um contexto em que a população é mais urbana, tem níveis de renda e escolaridade mais elevados e busca soluções complementares entre a saúde pública e a privada.
Esse novo relatório do Projeto Venturi é uma continuação do trabalho anterior sobre a dinâmica da demanda por atendimento, e agora concentra a análise no melhor entendimento da atividade efetivamente registrada na atenção primária. Nessa ocasião, o estudo tem como objetivo identificar e explicar os fatores que determinam o volume de atividades realizadas pelas equipes de medicina familiar.
O relatório encontra uma tendência clara: a atividade de emergência está crescendo mais rapidamente do que a atividade de rotina, refletindo uma transformação nos padrões de utilização do sistema. "A população, por si só, não explica a atividade. Devemos analisar também como o número de profissionais está evoluindo, a forma como o atendimento é prestado, os hábitos sociais e o papel crescente do seguro privado", explicou o diretor do Projeto Venturi, Antonio Burgueño.
Conforme apontado no relatório anterior, o planejamento com base apenas no número de cartões de saúde ou no envelhecimento da população leva a "erros estratégicos". O novo estudo confirma que a atividade é influenciada por uma combinação de fatores sociodemográficos, organizacionais, clínicos e estruturais. Esses fatores incluem o tipo de casos tratados, o grau de ruralidade, a penetração da assistência médica privada e o número de profissionais disponíveis.
Uma das descobertas mais relevantes do relatório é a baixa correlação entre o número de profissionais e a atividade registrada. Isso sugere que atualmente não há correspondência sistemática entre recursos humanos e volume de atendimento.
Para os autores, o desafio é alinhar de forma consistente o dimensionamento da força de trabalho com a carga de trabalho real, o que exige modelos de planejamento mais "ajustados e dinâmicos". Além disso, uma constatação importante do relatório anterior é reiterada: a maioria dos casos de atendimento não é nova, mas corresponde a processos em acompanhamento ou não resolvidos de anos anteriores, o que torna necessário incorporar essa realidade à lógica de alocação de recursos.
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